Get your ow
n diary at DiaryLand.com! contact me older entries newest entry

12:33 a.m. - 2005-06-23
Rap: discos de The Game e Cingy
O franco e o sacana

De um lado, The Game, rapper da Costa Oeste que segue a melhor tradição da música gangsta. Do outro, o sem-vergonha Chingy, oriundo de New Orleans. Fabrício Muller comenta os respectivos álbuns Documentary e Powerballin’ e constata: enquanto Chingy traz faixas de boa qualidade, The Game assombra e emociona ao cantar as mazelas da vida sob a tutela de Dr Dre, especialista em descobrir e produzir novos astros do hip hop.
Chingy traz a safadeza de New Orleans

Alguns rappers parecem mais sinceros do que os outros em suas interpretações. Quando 2pac Shakur, Eminem ou Mano Brown resolvem ser dramáticos, a impressão que passam é que aquilo vem mesmo do fundo da alma. Não creio que seja um exagero desmesurado colocar The Game – rapper originário da cidade californiana de Compton e que estreou 2005 com o álbum Documentary (Universal) – nesta seleta lista.

Como outros cantores do gênero, The Game – cujo nome real é Jayceon Taylor – teve uma vida conturbada: passou por grandes dificuldades financeiras, foi traficante de drogas, e chegou a levar vários tiros. Em 2001, depois de ser baleado, decidiu que deveria começar a fazer rimas. Mais tarde procurou o produtor e rapper Dr. Dre [que descobriu, entre outros, Snoop Dogg e Eminem e de quem o Bacana falara aqui]. O mestre logo percebeu o potencial do rapaz, conforme conta The Game na faixa “Dreams” ["trabalhar com Dre era um sonho"].

Quando, depois de um longo tempo, o disco finalmente foi lançado, o sucesso veio fulminante: Documentary foi direto para o primeiro lugar na Billboard. Mesmo assim, a turbulência não acabou na vida do rapper, que ultimamente tem se estranhado com 50 Cent. Antes da briga, aliás, ele mesmo havia colaborado em várias faixas de Documentary – o Bacana comentou o primeiro trabalho de 50 Cent aqui.

O álbum de estréia de The Game se insere declaradamente na tradição gangsta da Costa Oeste americana, que teve no NWA um de seus primeiros destaques. O antigo grupo de rap – que contava com, entre outros, Dr. Dre, Ice Cube e o já falecido Eazy-E – é tão venerado por The Game, aliás, que este costuma usar um medalhão do Niggaz With Attitude no pescoço e tem uma tatuagem com o logo da banda no peito. Mas o privilégio não é somente do NWA: outros grandes rappers da West Coast são declaradamente venerados pelo rapper de Documentary: Snoop Doggy Dogg, 2Pac, Eminem, Ice Cube e, claro, Dr. Dre, produtor de grande parte das faixas do disco.

De acordo com a tradição gangsta, as letras tratam do uso de drogas, misoginia, a violência da vida nas ruas. E é com grande franqueza que ele trata de diversos episódios de sua vida. Musicalmente, o disco é excepcional [há apenas uma faixa ruim, a chatíssima “Runnin’”]. Documentary é, de resto, uma sucessão de faixas impactantes ou dançantes, na melhor escola dos discos produzidos por Dre. Os maiores destaques são a lenta e assustadora “Start From Scratch”; “We Ain't” [com Eminem]; e a grande riqueza sonora da faixa-título.

***

Originário de New Orleans, assim como Nelly, Chingy é um rapper safado e sem-vergonha – qualquer um que tenha visto o clipe de “Balla Baby” [no canal de tevê Multishow ele é exibido com legendas em português] sabe do que eu estou falando.

Lançado recentemente no Brasil, o segundo disco de Chingy chama-se Powerballin' (Capitol/EMI). Tem ótimos raps, como “Give’Em Some Mo”, a citada “Balla Baby”, “Leave Wit Me”, “Make That Ass Talk” e “We Clubbin'”. Vale a pena procurar. Só que nem tem como comparar Powerballin' com o extraordinário Documentary, comentado acima.

 

previous - next

about me - read my profile! read other Diar
yLand diaries! recommend my diary to a friend! Get
 your own fun + free diary at DiaryLand.com!