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11:52 p.m. - 2005-06-22
Livro: Seinfeld e a Filosofia, compilado por William Irwin
Tudo é tudo e nada é
nada
Novo lançamento da coleção
sobre filosofia e cultura pop da Editora Madras enfoca a série de TV mais
popular da década de 90. Seinfeld e a Filosofia – Um Livro Sobre Tudo e
Nada é uma coletânea de artigos organizados por William Irwin, na qual
personagens e episódios de Seinfeld e as mais famosas histórias
sobre nada são analisados e comparados a grandes filósofos da história e
suas linhas de pensamento. Fabrício Muller faz a
análise. |
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Personagens do seriado
Seinfeld |
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Seinfeld e a Filosofia – Um Livro Sobre Tudo e
Nada (coletânea de William Irwin, 205 páginas) é o novo lançamento da
coleção sobre filosofia e cultura pop da Editora Madras – o Bacana
analisou aqui outros dois outros
livros desta coleção, Para fãs do seriado ou de filosofia o livro – uma
coletânea de artigos filosóficos, escritos por diversos autores – é um
achado.
A primeira parte de Seinfeld e a Filosofia
[chamada de “Ato I, Os Personagens”] é uma das mais saborosas: cada
um de seus artigos trata de um dos quatro personagens do seriado. “Jerry e
Sócrates: A Vida Examinada”, de William Irwin, compara o método de
perguntas e respostas de Sócrates com as perguntas que Jerry Seinfeld
costuma fazer a seus amigos. A conclusão do artigo é que, se aquele tinha
intenções sérias com seu método, este só quer analisar fatos banais do
dia-a-dia. “A Busca Frustrada de George pela Felicidade: Uma Análise
Aristotélica”, de Daniel Barwick, estuda o comportamento de George
Constanza conforme o método de análise ética de Aristóteles. O resultado,
como se pode prever, é desastroso para o personagem do seriado.
Interessantíssima é a análise que Sarah E. Worn, em “Elaine Benes: Ícone
Feminista ou Apenas Um dos Rapazes?” faz da personagem Elaine Benes. Ela é
feminista sim, mas só até certo ponto. E “Kramer e Kierkegaard: Estágios
no Caminho da Vida”, também de Irwin, é um dos pontos altos do livro. É
impressionante como a categoria de vida “estética” do filósofo dinamarquês
Kierkegaard casa-se bem com a vida do personagem Kramer.
A segunda
parte [chamada “Ato II, Seinfeld e Os Filósofos”] analisa questões
filosóficas levantadas pelo seriado. Como os fãs devem saber, o
slogan do programa é “uma série sobre nada”. Como este “nada”
seinfeldiano se relaciona com a milenar filosofia oriental do Tao? O
seriado Seinfeld, com suas idas e vindas, tem alguma coisa a ver com a
teoria da eterna recorrência de Nietzsche? Estas perguntas são
respondidas, respectivamente, por Eric Bronson e Mark T. Conrad.
Interessantíssimos são os artigos “Seinfeld, Subjetividade e Sartre”
[onde Jennifer McMahon compara a amizade dos quatro personagens
principais do seriado com as teorias de subjetividade e
co-responsabilidade de Jean-Paul Sartre] e “Wittgenstein, Seinfeld e o
Lugar-Comum” [provavelmente o melhor artigo do livro, no qual Kelly
Dean Jolley, para o espanto do leitor, conclui que a os atos banais do
cotidiano – o cerne do seriado – são o que há de mais fundamental na
filosofia de Wittgenstein].
A terceira parte [“Ato III,
Meditações Prematuras Ao Lado do Bebedouro”] é a mais fraca de todas.
Os artigos – que tratam respectivamente de um episódio onde Constanza faz
o contrário do que faria normalmente para as coisas darem certo, da
subjetividade, e da significância do insignificante em Seinfeld – não
trazem maior interesse para o leitor: eles parecem deslocados da realidade
do seriado.
Os três artigos da última parte do livro [“Ato IV,
O Que Há de Errado Nisto?”], escritos respectivamente por Robert A.
Epperson, Aeon J. Skoble e Theodore Schick Jr., analisam Jerry, Elaine,
George e Kramer sob o ponto de vista da moral e da ética. A conclusão dos
filósofos não é pela condenação total daqueles, nem pela absolvição sem
ressalvas. Os argumentos pró e contra os personagens são instigantes,
surpreendentes. Uma chave de ouro para fechar um livro na sua maior parte
excepcional. |
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