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12:26 a.m. - 2005-06-23
Rap: discos de Lil Jon and The Eastside Boyz, Snoop Dogg, Lethal Bizzle e Jay-Z com Linkin Park
Quatro novidades
O crunk barulhento e animado do grupo Lil Jon and
The Eastside Boyz, o gangsta de Snoop Dogg, o
crossover entre o hip hop de Jay-Z e o nü
metal do Linkin Park e o altamente polêmico Lethal
Bizzle. Fabricio Muller comenta o que há por trás dessas quatro
novidades do mundo do rap, que já foram lançadas no Brasil ou deverão
chegar por aqui em breve. |
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O grupo Linkin Park juntou suas bases
pesadas com o rap de Jay-Z |
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Começando pelo melhor. Crunk Juice (TVT
Records, importado), do grupo de Atlanta Lil Jon and The Eastside
Boyz é um disco no melhor estilo crunk, um tipo de rap
barulhento e animado feito para divertir as pessoas nos clubes. Assim como
o anterior Kings Of Crunk [resenhado aqui pelo
Bacana], esse inicia no estilo típico de Lil Jon: vocais roucos
e berrados secundados por uma base pesada, grave e dançante, resultando em
ótimas músicas como “Real Nigga Roll Call” [com participação de Ice
Cube], e “What U Gon” [com Lil Scrappy]. No decorrer do álbum,
vários cantores e rappers convidados vão aparecendo, trazendo novos
ritmos e estilos. Da mesma forma que ocorrera com o anterior, Kings Of
Crunk traz muito soul e r&b de primeira linha, como “One
Night Stand” [com a cantora Oobie] e “Bitches Aint Shit” [com
Snoop Dogg]. Neste disco praticamente sem defeitos, o destaque maior
fica com a pesada, alucinada e guitarreira “Stop Fuckin Wit Me”.
É
difícil entender o que aconteceu com Snoop Dogg. O sujeito que fez
sua estréia em The Chronic, álbum de Dr. Dre e clássico absoluto
do rap, que fez ótimos álbuns em carreira solo nos anos
posteriores, simplesmente perdeu a mão de Tha Last Meal [2000] em
diante. De lá para cá, ele canta cada vez menos em seus álbuns, melosos
além da conta e com um grande número de músicas com refrões irritantes e
em falsetto a cargo diferentes artistas. É uma ou outra faixa que
se salva em cada um deles. No caso do mais recente, R&G (Rhythm
& Gangsta): The Masterpiece (Geffen Records, importado) é triste
constatar que os melhores monetos são aqueles em que ele canta com caras
legais – em outras palavras, são eles é que estão trazendo qualidade para
o disco do Snoop, quando era sempre o contrário que acontecia. “Oh No”
[com 50 Cent], “Step Yo Game Up” [com o supracitado Lil
Jon], “Drop It Like It's Hot” [com Pharrell, seu parceiro no
mega-sucesso Beautiful] e “Girl Like U” [com Nelly] são os
melhores exemplos do que eu estou dizendo.
Primeiro veio o Grey
Album, grande sucesso criado pelo DJ americano Danger Mouse ao
misturar o White Álbum dos Beatles com o Black Álbum de
Jay-Z [polêmico por causa de problemas com direitos autorais – a
Capitol/EMI, detentora dos direitos dos Beatles, proibiu a sua liberação e
o disco só “existe” na internet]. Agora foi lançada uma nova mistura
entre rap e rock, desta vez sem este tipo de imbroglio:
Collision Course (Warner) une bases do grupo de nu metal
Linkin Park com obras do mesmo Jay-Z. O disco foi produzido
por Mike Shinoda, integrante do LP, e, além do CD, inclui um DVD com uma
apresentação ao vivo da banda de rock ao lado do rapper no Roxy
Theater, a leste de Hollywood. A união acabou ficando excelente. É
interessante observar que as músicas mais pesadas, como “Dirt Off Your
Shoulder”/”Lying From You” e “Jigga What”/”Faint”, ficaram melhores na
versão de estúdio. Enquanto isso, aquelas um pouco menos barulhentas, como
“Big Pimpin”/”Papercut” e “IZZO”/”In The End”, se saíram melhor na versão
ao vivo.
Para finalizar, "Pow! (Forward)" (Relentless, importado),
do inglês Lethal Bizzle, é um single polêmico. Foi proibida
em muitos clubes na Inglaterra [o vídeo também foi vetado em muitos
canais de TV], porque incita a violência nas pessoas. Independente de
qualquer coisa, ouvir a música [o single traz também dois
remixes e dois clipes] deixa o ouvinte com a impressão de que é
impossível alguém cantar mais depressa que o inglês. Só não dá para
esquecer "Pow! (Forward)" logo em seguida porque a irritação com ela dura
ainda algum tempo depois de acabar a audição.
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