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10:22 p.m. - 2005-08-07
Disco: With Teeth, do Nine Inch Nails

Claustrofobia intensa

Foram muitas e muitas horas diárias de gravação e clausura obsessiva. Após um intervalo de seis anos, Trent Reznor enfim solta novo disco. E se mostra em grande forma, sabendo aliar seus vocais e arranjos intensos com a típica sonoridade que mistura, rock, electronica e industrial que sempre marcou a carreira do Nine Inch Nails. Fabricio Muller ouviu o álbum With Teeth, que conta com a ajuda não-creditada de Dave, e destaca os pontos altos.
Trent Reznor se impôs a uma

Os seis anos desde o lançamento do disco de inéditas anterior, The Fragile, foi um período longo mesmo para os padrões de Trent Reznor, o único integrante oficial do Nine Inch Nails. Neste tempo ele ficou praticamente enclausurado em sua casa em New Orleans, gravando muitas horas por dia e, parece, abusando do álcool. O resultado de toda esta obsessão é With Teeth (Geffen/Universal), um álbum extraordinário, onde a música eletrônica/rock/industrial de Reznor, aliada ao seu vocal intenso e expressivo, mostra-se em grande forma [Dave Grohl ajudou em algumas faixas, mas isto nem é contado no encarte].

Se With Teeth tivesse apenas duas faixas, “Getting Smaller” e “Right Where It Belongs”, já valeria o investimento. A primeira é pesada e violenta, praticamente perfeita: com uma interpretação angustiada e visceral mais letra claustrofóbica [Eu sou só um rosto na multidão/ Nada que importe/ (...) Eu só fico menor e menor a cada dia]. E por isso “Getting Smaller” já é, com certeza, umas das melhores músicas do ano. Música que prende o ouvinte desde a primeira audição, o outro grande destaque do disco, “Right Where It Belongs”, aparentemente está no extremo oposto à anterior, já que é uma balada lenta.. Mas o clima aqui também é claustrofóbico, não só pelos versos [“Veja o animal na gaiola que você construiu/ Você tem certeza de que lado você está?”] como pelos vocais ao mesmo tempo distantes e melancólicos de Reznor. Inesquecível!

Entretanto, With Teeth ainda tem mais. “Love Is Not Enough” começa meio inexpressiva, mas vai ficando cada vez mais pesada. A letra, simples, é bastante sugestiva [“Nós nos cobrimos com mentiras/ Mas abaixo delas não somos assim tão fortes/ E o amor não é o suficiente”]. “The Hand That Feeds” é rápida, extremamente bem construída e com um refrão marcante [“Quanto que você realmente acredita?/ Você vai morder a mão que te alimenta?/ Vai mastigá-la até sangrar?”].Já “Everyday Is Exactely The Same” volta à hipnose e claustrofobia no arranjo. A letra não fica atrás [“Eu acredito que eu posso ver o futuro/ Enquanto eu repito a mesma rotina/ Eu acho que eu tinha um objetivo/ Mas, então, de novo/ Isto pode ter sido um sonho”]. Na veloz “You Know What You Are?”, Reznor pede para uma pessoa para que se lembre de quem é. “Beside You In Time” é fascinante, viajante [“Eu estou sozinho todo este tempo/ Às vezes do meu lado escuto um som/ Em lugares paralelos eu sei que você está/ Sentindo as pequenas coisas sangrando/ E isto continua/ E continua/ E continua”].

Mesmo momentos mais fracos, como “Sunspots” e “All The Love In The World”, estão muito distantes de serem ruins. Por isso, com certeza, ninguém vai reclamar se tiver que esperar mais seis anos por um lançamento deste naipe.

 

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