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12:02 a.m. - 2005-06-23
Metal: discos de Neurosis, Isis, Papa Roach e Dirty Americans
Quatro vezes metal
Variedade do estilo é representada por quatro novos
lançamentos, três deles importados. Faixas longas e com muitos climas
compõem os álbuns mais recentes de Neurosis e Isis. Já o
Papa Roach oferece um prato cheio para quem gosta do nü
metal tradicional. E o Dirty Americans mostra que uma banda
stoner pode conjugar guitarras pesadas e ares setentistas com um
acento mais pop. Fabrício Muller fala mais sobre os
discos. |
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Novo álbum do Papa Roach é bem semelhante
aos anteriores |
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Formado em 1985 em Oakland, Califórnia, o
Neurosis é uma banda de metal de vanguarda de grande complexidade.
Lançado neste ano, The Eye Of Every Storm (Neurot, importado) é seu
nono álbum de estúdio. Tem apenas oito longas faixas [duas delas com
mais de onze minutos de duração], com grandes trechos instrumentais e
com climas que se alternam entre o angustiantemente pesado e o viajante. O
disco é um assombro, apesar de faixas um pouco menos inspiradas como
Shelter e Left To Wander.
Os destaques são muitos. “Burn”
tem uma primeira parte que lembra, pelo clima e pelo vocal, um Screaming
Trees mais angustiado; a segunda parte começa pesadíssima e que termina
tranqüila. A assombrosa “No River Take Me Home” tem alguns temas marcantes
que vêm e vão, em crescendos e diminuendos espetaculares, indo do sussurro
ao berro angustiado, do quase silêncio ao extremamente pesado. Prova de
que o domínio da dinâmica das canções é, efetivamente, um dos pontos
fortes do grupo californiano.
“The Eye Of Every Storm” é uma das
faixas mais complexas de todo o álbum, com quase doze minutos de duração e
momentos que lembram o Radiohead fase OK Computer. Já “A Season In
The Sky” e “I Can See You” começam muito lentamente, com linhas melódicas
belíssimas e marcantes. E a maneira como as duas faixas vão ficando mais e
mais pesadas até chegar nas partes violentas e pesadíssimas [o Neurosis
é uma banda de metal, afinal de contas] é de arrepiar, para dizer o
mínimo.
Da mesma praia do Neurosis é a banda criada em 1997 na
cidade americana de Boston, o Isis. Seu lançamento mais recente,
Panopticon (Ipecac, importado), é praticamente do mesmo nível
daquela que é normalmente considerada a obra-prima do grupo, o álbum
Oceanic [2002]. Assim como The Eye Of Every Storm, comentado
acima, o disco do Isis é composto por poucas mas longas faixas – a mais
curta tem quase oito sete minutos; a mais longa mais de nove. E, assim
como o disco do Neurosis, Panopticon é brilhante nas mudanças de
climas, tessituras e ambientes, indo do muito lento e calmo ao
pesadíssimo.
Mas há uma diferença logo perceptível: em
praticamente nenhum momento Panopticon atinge a intensidade e a
profundidade que o Neurosis alcança diversas vezes em seu álbum, tanto nas
partes suaves quanto nas violentas. Até mesmo por causa disso a audição do
novo disco do Isis acaba exigindo menos do ouvinte – sendo, portanto, de
deglutição um pouco mais fácil. Além disso, a banda de Boston tem uma
qualidade mais constante em suas faixas. Mas, na dúvida, fique com os
dois. Você não vai se arrepender.
Semelhanças Uma das
mais vilipendiadas bandas de um estilo que já nasceu vilipendiado por
grande parte da crítica, o Papa Roach estourou em todo o mundo com
seu segundo álbum, Infest [2000]. Dos anos depois,
lovehatetragedy chegou ao segundo posto da parada americana. Agora
a banda lança Getting Away With Murder (Geffen, importado). Tudo
semelhante aos anteriores. Letras quase sempre violentas, angustiadas ou
desesperadas e uma sonoridade um pouco menos agressiva que congêneres como
Korn ou Limp Bizkit, mas com uma pegada forte e marcial. Parece tentar
pegar o ouvinte muito mais pelo impacto sonoro da coisa do que pela
melodia.
E é nesta semelhança com o que veio antes que está a
força e a fraqueza de Getting Away With Murder. Quem gostava da
banda vai continuar gostando. Quem a desprezava vai continuar desprezando.
[Só uma informação adicional – e que a muitos parecerá desnecessária –
antes de passar para o próximo lançamento: eu gosto – e bastante – de Papa
Roach].
Stoner Pop O Dirty Americans é uma banda de
Detroit, com som [e visual] retrô, calcado no hard rock
seventie de bandas como Iron Butterfly, Grand Funk Railroad e
Cream. Strange Generation (Roadrunner/Sum), lançado em março deste
ano no exterior e recentemente no Brasil, é seu primeiro lançamento
oficial.
A banda faz um som não muito pesado, entretanto
extremamente agradável de ouvir – é o tipo do disco ideal para ouvir numa
longa e animada viagem de carro. Se você gostar de guitarras e a levada
típica do rock setentista, vai perceber que a qualidade do álbum
praticamente não se altera no disco todo. Strange Generation é um
disco bem feito, redondo e com músicos competentes.
Agora, se você
achava que o Dirty Americans era uma banda stoner – por causa da
capa do disco, das roupas dos integrantes [meu caso] ou mesmo pelo
relase da gravadora [caso do crítico francês da Ring Magazine, que
escreveu este artigo], uma
certa decepção será inevitável. Strange Generation não tem,
definitivamente, a pegada, a energia ou mesmo a afinação grave de bandas
como Kyuss, Masters of Reality ou Queens Of Stone Age. É uma espécie de
stoner mais leve. Ou, como diz o crítico citado acima, um stoner
pop. |
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