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7:10 p.m. - 2005-06-22
Blues/jazz: T-Bone Walker, Mississippi Fred McDowell, Peter Malick/Norah Jones
Três vezes
blues
Pacote de discos da
Sum Records traz ao Brasil três álbuns de blues bastante
diferentes. Mama Says I’m Crazy mostra o que o cantor Mississipi
Fred McDowell pode fazer ao lado do gaitista Johnny Woods em um
take apenas. Já T-Model Ford relê canções tradicionais no
formato guitarra-e-bateria a la White Stripes em Bad Man. E
Peter Malick flerta com o jazz em New York City,
álbum gravado com a participação de Norah Jones antes de seu
sucesso comercial. |
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Seria T-Model Ford pai de Jack e Meg
White? |
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Um interessante novo pacote da Sum Records engloba
lançamentos de nomes mais ou menos conhecidos de blues. O melhor
dos álbuns é, provavelmente, Mama Says I'm Crazy, com os
bluesmen Mississipi Fred McDowell e Johnny Woods.
McDowell, nascido em 1902 no estado americano do Tennessee, trabalhou em
fazendas boa parte de sua vida e chegou a fazer bastante sucesso como
cantor de blues rural nos anos que precederam sua morte, por
câncer, em 1972. Em 1967, o produtor George Mitchtell juntou-o ao gaitista
de boca Johnny Woods para uma seção de gravações. O resultado foi este
fantástico Mama Says I'm Crazy, gravado em um único take.
"Difícil acreditar que havia oito anos que eles não tocavam juntos",
declara Mitchell no encarte.
Mama Says I'm Crazy é
espontâneo e intenso. Por mais que a qualidade da gravação não seja das
melhores, a autenticidade dos blues rurais (na linha de Blind Lemon
Jefferson e Robert Johnson) gravados por McDowell e Woods transparece em
todas as faixas. Os maiores destaques são as lentas “I Walked All Night
Long”, as bem tradicionais “Going Down To The River” e “Standing At The
Back Door” mais a sincopada “I Got a Woman”.
O bluesman
T-Model Ford teve vida errante e violenta: trabalhou em vários
empregos no campo, e foi até mesmo condenado a dez anos de prisão por
assassinato ("eu tenho de reconhecer que era um sujeito perigoso",
confessa, hoje, Ford). Ele tinha cerca de 75 anos em 1997, quando gravou
seu primeiro disco, Pee-Wee Get My Gun. O CD Bad Man,
presente no pacote da Sum, é o seu terceiro álbum e, ao contrário dos
anteriores, não possui qualquer composição própria, mas apenas
blues tradicionais.
Apesar de ser originário do Mississipi,
o berço do blues rural, Ford toca um blues eletrificado, na
tradição dos bluesmen de Chicago como Muddy Waters e T-Bone Walker.
Em Bad Man ouve-se sua voz metálica e aguda secundada, na maioria
das faixas, apenas pela sua guitarra e pelo baterista Sum (alguém aí falou
em White Stripes?). Conforme o estado de espírito do ouvinte, o disco pode
ser sublime – já que T-Model é, acima de qualquer dúvida, um
bluesman “autêntico” – ou entediante – pois as faixas são todas
muito parecidas.
Em 2000 o guitarrista de blues Peter
Malick compôs algumas canções e pediu para uma garota que ele tinha
visto se apresentando em um bar para cantá-las, junto com o grupo dele, em
alguns poucos shows – os quais não foram exatamente um sucesso de público.
Mesmo assim, Malick convidou-a para umas seções de gravação. A moça era a
então desconhecida Norah Jones e – depois que ela estourou nas
paradas com o álbum Come Away With Me (de 2002) – Malick resolveu
lançar, em 2003, o EP New York City.
Este é um disco blues
sofisticado, próximo, muitas vezes, do jazz e da música pop
(bastante distante, portanto, do blues dos outros dois álbuns
citados anteriormente). E é nas qualidades dele que residem,
paradoxalmente, os seus defeitos: tudo é muito certinho, bem tocado e
redondinho, mas meio sem alma (com exceção do excelente bluesão rasgado
“All Your Love”). Em outras palavras, New York City é um excelente
disco para dar de presente para aquele seu amigo que gostava de rock na
adolescência e que agora “evoluiu” para coisas mais “sofisticadas” como o
jazz. Ele vai dizer para você “isto, sim, é que música!”, enquanto
você engole seco... |
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