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11:54 p.m. - 2005-06-22
Pop/punk: disco American Idiot, de Green Day
Coro dos descontentes
Lista de artistas americanos contrários à política
conservadora implantada por George W. Bush não pára de crescer. Quem acaba
de assinar sua adesão é o Green Day, que volta a lançar um álbum
após quatro anos. American Idiot surpreende ao mesclar aquilo que o
trio sabe fazer de melhor [punk rock grudento e bastante
melodioso] com novos e ousados passos, como a inclusão de duas suítes
de mais de nove minutos cada e subdivididas em faixas aparentemente
independentes uma da outra. Fabrício Muller escreve sobre o retorno
do trio. |
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Green Day está de volta juntando melodias
acessíveis com versos amargos e desiludidos |
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O Green Day tem uma trajetória toda particular.
Estourou em 1994, vendendo oito milhões de cópias, apenas nos Estados
Unidos, do excelente Dookie. Seu terceiro álbum – o primeiro por
uma grande gravadora, trazia um punk rock simples e tradicional –
algo um tanto inesperado, convenhamos, após o estouro do grunge no começo
da década. Seu disco seguinte, Insomniac [1995], vendeu apenas um
quarto do anterior e a banda parecia caminhar célere para o anonimato. Mas
o Green Day voltou a surpreender o mundo com Nimrod [1997]¸ graças
ao gigantesco sucesso da linda balada “Good Riddance (Time of Your Life)”
– apreciada por um público bem mais amplo do que aquele que costuma
consumir música pop. Mas o tempo passou e a banda lança um novo álbum,
Warning [2000], que, embora bem recebido por parte da crítica,
continuou mantendo a banda distante dos áureos tempos de Dookie.
Mais quatro anos se passaram sem lançamentos e agora o Green Day
volta a atacar. American Idiot (Elektra/Warner) é um disco amargo e
desiludido, que em grande parte das faixas critica virulentamente a
passividade [ou burrice] dos americanos perante a linha de
pensamento conservadora implantada por George W. Bush. Além das letras
agressivas, a banda surpreende por duas verdadeiras suítes épicas de mais
de nove minutos cada, divididas em cinco partes com cadências distintas
[cada uma destas partes representa uma faixa do disco, mas não há
intervalos dentro de cada uma das “suítes”]. O melhor dos dois épicos
é a série de faixas “Jesus Of Suburbia” [ao estilo do pop
fiftie], “City Of The Damned” [que lembra Bowie fase Ziggy
Stardust], “I Don't Care” [com voz distorcida, o vocalista Billie
Joe Armstrong declama sobre base punk e agressiva], “Dearly
Beloved” [cadenciada, lembrando Beatles] e “Tales Of Another Broken
Home” [punk e melodiosa, típica do Green Day].
American
Idiot tem muitos outros destaques ainda. “Wake Me Up When September
Ends” é uma linda balada, no mesmo nível de “Good Riddance (Time Of Your
Life)”, com uma letra sugestiva e melancólica. O punk bubblebum
[delicioso, por sinal] que abalou o mundo em Dookie está
presente em faixas como “Letterbomb”, “She’s a Rebel” [esta, pela
temática da garota rebelde, parece ter saído diretamente do álbum de
1994], “Holiday” e “St. Jimmi”. “Extraordinary Girl” conta a história
de uma pobre menina melancólica e incompreendida, em uma música que começa
com batuques africanos e termina com melodia pop de primeira. Já
“Boulevard Of Broken Dreams” é outra bela balada [“Eu ando numa estrada
solitária/ A única que eu jamais conheci/ Não sei para onde ela vai/ Mas é
minha casa e eu ando sozinho].
Se fosse apontar uma faixa
desinteressante, só mesmo “Are The Waiting” [com refrão de rock de
arena!] se enquadraria nesta categoria. O que, obviamente, está longe
de arranhar a excelente qualidade do disco do trio. American Idiot
é um álbum ambicioso, afinal. Acerta quando arrisca em longas faixas
épicas e na agressividade das letras. E também acerta quando o Green Day
revive o que sabe fazer de melhor: ótimas melodias, tanto nas baladas
quando em formato punk. |
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