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12:06 a.m. - 2005-06-23
Rap: Encore, de Eminem
Mais um?
Primeiro single avacalha com Michael Jackson e o
besteirol genial de costume está presente em algumas faixas. Mas algo
mudou em Eminem e seu novo disco mostra maturidade. Tem
dramaticidade extrema, críticas ao governo de George W. Bush, canções de
amor, declaração à filha e, sobretudo, um artista preocupado com a briga
entre seu protegido 50 Cent e o rival dele, Já Rule. Fabrício
Muller destaca as novidades de Encore, disco que pode ser o
último da carreira do rapper. |
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Seria Encore o último álbum de
Eminem? |
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O semanário britânico New Musical Express [ver
aqui], por exemplo, viu mais de uma
indicação em Encore (Interscope/Universal) que este possa ser o
último disco de Eminem – ou pelo menos da persona Slim Shady. A começar
pelo título e pela capa, onde o mais famoso rapper branco da
história agradece ao público depois do bis [encore, em
inglês]. Outras pistas: um suposto bilhete de despedida escrito
manualmente no espelho do CD e uma arma escondida na mão por trás do corpo
e que só é vista na contracapa do encarte. Sem ir assim tão longe, não
resta qualquer dúvida de que este disco é mais maduro – no sentido de um
pouco menos irresponsável – do que os seus anteriores.
O que não
deixa de ser surpreendente, já que o primeiro single de
Encore, a alucinada “Just Lose It”, avacalha cruelmente com Michael
Jackson e com o próprio Eminem, conforme o Bacana comentou aqui. É claro que
Marshall Matters não virou um artista "certinho" de uma hora para outra. O
besteirol genial está presente em algumas faixas e a dramaticidade extrema
aparece em outras, da mesma maneira que ocorrera em seus outros discos.
Mas o tom aqui é um pouco mais sério e responsável do que o de costume.
Por exemplo, jamais Eminem havia levado a política tão a sério
como na espetacular “Mosh”, que incita o povo americano a agir contra o
governo Bush até que "nossas tropas voltem para casa". Em “Mockingbird”,
como em outras belíssimas faixas dos discos anteriores, declara seu amor
por Haillie, sua filha – mas desta vez ele é um pouco mais positivo do que
o usual em relação à mãe da menina. Também nunca chegara tão próximo de
canções de amor como na linda “Spend Some Time” [com as participações
de Obie, Stat Quo e 50 Cent] e, principalmente, em “Crazy In Love”
["E não importa o quanto/ Mesmo o demais nunca é suficiente/ Por que
estamos loucamente apaixonados"]. Em “Like Toy Soldiers” o
rapper mostra-se sinceramente preocupado com a briga entre seu
protegido 50 Cent e o rival dele, Ja Rule. Além de tudo isto, fora o
supracitado Michael Jackson poucos são os desafetos citados nominalmente
por Eminem.
Para sorte dos seus ouvintes, esta diminuição no tom
está longe de significar decréscimo na qualidade. Além das faixas já
citadas, na engraçadíssima “Ass Like That” Eminem emula sotaque indiano
para contar que seu "pee pee" está crescendo. Em “Evil Deeds”, ele volta,
com dramaticidade e auto-ironia, a alguns de seus temas habituais ["Aí
vai o pobre Marshall de novo/ Se queixando de seus milhões e de sua
fortuna/ E de suas tristezas/ E do pai que ele nunca teve e da sua
infância que foi tão triste/ E da sua mãe que era viciada e da sua
ex-mulher/ E de como eles chegaram neste ponto"]. “My 1st Time” é
outro primor de humor nas referências irônicas a si próprio, enquanto
“Rain Man” leva ouvinte a risadas pelo seu lado mórbido. Já “Yellow Brick
Road” é outra canção da série em que Eminem emociona falando de sua
própria vida.
Apesar de alguns deslizes aqui e ali – “Big Weenie”
é desinteressante; “One Shot 2 Shot”, com seu amigos do D12, boba; e
“Puke”, escatológica – Encore é mais um álbum de qualidade Eminem.
Espero sinceramente que a NME esteja errada e que este não seja o fim da
brilhante carreira do rapper.
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