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10:27 p.m. - 2005-08-07
Livro: Buffy, a caça-vampiros e a filosofia, coletânea organizada por James B. South e William Irwin
Garota que mora ao lado
Série da Editora Madras que une ícones pop da televisão e do
cinema a discussões filosóficas ganha mais uma boa edição. Buffy – A
Caça-Vampiros e a Filosofia centra suas idéias no cultuado seriado
estrelado por Sarah Michelle Gellar, produzindo teorias com viés
feminista, ético, moral e metafísico. Mas também há contradições, como em
artigos que colocam os protagonistas mais próximos do comportamento
fascista ou creditam o sucesso das histórias ao forte “conteúdo sexual”.
Fabricio Muller, que nunca viu um minuto sequer da série, fala
sobre o livro. |
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Seria a Buffy de Sarah Michelle Gellar uma
poderosa isca de apelo sexista? |
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Existe algum interesse para um leitor – que nunca
assistiu a nenhum episódio de uma determinada série televisiva – em ler um
livro com vários artigos escritos por diferentes pesquisadores, que
analisa esta série sob vários pontos de vista filosóficos? Por mais que a
princípio a resposta mais óbvia seja não, no caso específico de Buffy –
A Caça-Vampiros e a Filosofia, coletânea organizada por James B. South
e William Irwin recentemente publicada pela editora Madras (320 páginas),
a surpreendente resposta é sim. A leitura pode ser enriquecedora e
interessantíssima, inclusive para quem não entende patavina da famosa
série Buffy, da Fox. Pelo menos no meu caso funcionou: mesmo sem ter
assistido a um minuto sequer do seriado, gostei muitíssimo do livro.
Como em outros livros desta série da editora Madras – o
Bacana publicou outras resenhas do aqui e aqui – o seriado é
analisado, entre outros, pelo viés feminista, moral, ético e metafísico. É
prazeroso ler as diversas teorias que tratam do seriado, mesmo quando elas
se contradizem.
Por exemplo, se a grande maioria dos autores
presentes no livro louvam a ética da personagem principal, em “Camisas
Marrons: Fascismo, Cristianismo e Demônio Eterno”, de Neal King, Buffy e
seus companheiros caça-vampiros são vistos como fascistas – não é à toa
que este artigo inicia uma parte do livro genialmente batizada de Esse é o
Tipo de Pensamento Babaca Que Faz Você Ser Comido. Do mesmo modo, enquanto
a maioria dos ensaios louva Buffy como algo profundo e original,
“Sentimentos Por Buffy: a Garota Que Mora ao Lado”, de Michael P. Levine e
Steven Jay Schneider, defende a tese de que o seriado é pop, superficial,
e que deve praticamente todo o seu sucesso ao seu forte conteúdo sexual.
Buffy, a personagem, seria a "garota que mora ao lado", com toda a dose de
fetichismo que isto acarreta.
A cada dia me convenço mais que,
para o leitor leigo, não há melhor maneira de se inteirar das discussões
filosóficas do que lendo os livros da série sobre cultura pop e filosofia
da editora Madras (sobre ícones como Buffy, Harry Potter, Simpsons). São
profundos, sérios, mas ao mesmo tempo didáticos e interessantes. E neste
caso, convenhamos que a atriz que faz Buffy, Sarah Michelle Gellar, é
mesmo uma gracinha. Mesmo sem ter visto nenhum episódio da série creio que
quem a chamou de "garota que mora ao lado" não estava assim tão errado...
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