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6:36 p.m. - 2005-06-22
Matéria: o debochado ataca novamente, sobre Morrissey
O debochado ataca
novamente
Em maio será quebrado um
longo silêncio fonográfico. Depois de sete anos sem lançar um álbum
sequer, ele estará de volta com material inédito. You Are The
Quarry chegará às lojas trazendo um Morrissey mais pop e com
canções mais leves e emotivas, sob a produção de Jerry Finn (Blink 182,
Sum 41). O Bacana antecipa muito do que virá neste que é um dos
mais aguardados discos dos últimos tempos. Textos escritos por Abonico
R. Smith e Fabrício Muller. |
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Língua ferina de Moz volta a destilar
veneno contra os críticos e a família real britânica |
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Já começou a contagem regressiva para o fim da
maior abstinência das últimas décadas da música pop. Está previsto para
maio (17 na Europa e 18 nos Estados Unidos) o lançamento de You Are The
Quarry, o primeiro álbum lançado por Morrissey em sete anos. Ainda
faltam dois meses para a chegada do disco às lojas, mas a extensa legião
de fãs espalhada ao redor do mundo já começa a se organizar em busca de
informações e gravações inéditas antecipadas pela web.
Desde 1997, o vocalista mantém seu silêncio fonográfico. Um ano
após o lançamento de Maladjusted, o selo A&M anunciava a sua
falência. Aos poucos, os artistas homeless foram achando novos
lares. Contudo, o ex-líder dos Smiths encontrou muitas dificuldades para
fechar um novo contrato. Continuava compondo, gravando, excursionando (a
turnê Oye Esteban, de 2000, passou pelo Brasil) e gerando histeria
coletiva por onde passava, mas não estava em qualquer gravadora. No fim do
ano passado, enfim, foi divulgado que um novo disco sairia sob o rótulo da
Sanctuary, tradicional casa de sons pesados que tem em seu catálogo nomes
como Ozzy Osbourne, Bruce Dickinson e Joey Ramone (in memoriam).
Entre as justificativas do longo tempo de definição estavam as freqüentes
recusas de Moz a aceitar propostas de algumas gravadoras, como mudar a
banda de apoio ou gravar com os músicos do Radiohead.
Aos poucos o
mistério sobre You Are The Quarry vai se dissipando. O álbum foi
produzido por Jerry Finn, responsável por levar bandas de punk pop ao
estouro no mercado americano, como Sum 41 e Blink 182. Um dos méritos de
Finn foi enfatizar o lado pop de Morrissey, criando arranjos cheios de
cordas sintetizadas. O próprio Moz assume que o disco é bem mais leve do
que muitos de seus trabalhos anteriores. “É uma grande ostentação de
emoções. E é cheio daquelas coisas maravilhosas chamadas ganchos”, resumiu
recentemente, fazendo referência ao jargão musical que caracteriza
riffs e melodias grudentas.
Doze faixas foram anunciadas
como a track list de You Are The Quarry. Quatro delas já se
encontravam disponíveis na rede, em gravações extraídas de shows: “Irish
Blood, English Heart”, “The World Is Full Of Crashing Bores”, “The First
Of The Gang To Die” e “I Like You” (uma quinta, chamada “Mexico”, ficou de
fora da seleção final e provavelmente será incluída como b side de
algum single). E por falar em single, “Irish Blood...” (que
por algum tempo foi o batismo provisório do álbum e cujo nome faz
referência à ascendência irlandesa do cantor), será o primeiro a sair, em
10 de maio. Nesta canção, que desde o ano retrasado freqüenta o set
list dos shows, Morrissey diz sonhar com o tempo quando ser inglês não
será pernicioso, quando segurar a bandeira não fará ninguém se sentir
envergonhado, racista ou racial., quando os ingleses estarão com o saco
cheio dos trabalhistas e conservadores, cuspirão no nome de Oliver
Cromwell e denunciarão “esta família real”. Retomando brevemente as
provocações dos tempos de The Queen Is Dead, ele ainda dispara um
verso fulminante: “nenhum regime pode me comprar ou vender”.
A
mesma farta dose de cinismo está nos versos sobre guerras e hambúrgueres
da faixa de abertura. "Land of opportunity in a just and truthful way/ And
where the President is not black, female or gay/ (…) I love you/ I love
you/ America/ But you are not the world " ("Terra de oportunidades de um
jeito verdadeiro/ Onde o presidente não é negro, mulher ou gay/ Eu te amo/
Eu te amo/ América/ Mas você não é o mundo"), canta em “América Is Not The
World”, sobre sons ensurdecedores de bateria e guitarras.
“The
First Of The Gang To Die” revela a paixão do artista pelo lado
chicano de Los Angeles – a letra conta a história romantizada de
Héctor, líder de gangue com sangue mexicano nas veias. Já em “I Have
Forgiven Jesus” [uma gravação surgiu na rede na semana passada como
sendo a primeira faixa oficial de You Are The Quarry a vazar, mas
logo foi descoberto tratar-se de uma gravação de uma banda sueca chamada
Boys], Morrissey narra sua via-crúcis diária de estados de espírito
inversamente proporcionais à alegre “Friday I’m In Love”, do Cure. A
semana começa com humilhação na segunda-feira e acaba com um “my life has
killed me” (“minha vida me matou”) na sexta.
Em “I Like You”, Moz
traça, sobre um sintetizador, belas linhas melódicas que remetem
diretamente ao clássico tecnopop oitentista “Don’t You Want Me”, do Human
League. Outro destaque do álbum é “Let Me Kiss You”, feita por ele para
Nancy Sinatra, que já anunciou sua intenção de, no seu próximo disco,
gravá-la em dueto com o autor. É mais uma canção do mancuniano que fala de
problemas no amor.
Mas nem só de amores platônicos e paixões
frustradas vive o mundo das letras de Moz. Outros personagens, os críticos
“detratores”, voltam a ser alvo das farpas irônicas do vocalista – segundo
ele, a música é a sua resposta "à imprensa negativa que ele teve de
suportar ao longo dos anos". Na mais-que-direta letra estão frases como
"The critics who can't break you/ They somehow help to make you" (“Os
críticos que não podem quebrá-lo/ De alguma maneira eles ajudam a
faze-lo”), "The critics can't break you/ they unwittingly make you." (“Os
críticos não podem quebrá-lo/ Eles inconscientemente fazem você”) e "Your
royalties bring you luxuries" (“Seus direitos autorais trazem-no
luxúria”).
Por enquanto, ainda não há muitos detalhes sobre a
turnê de lançamento de You Are The Quarry. Poucos shows estão
confirmados – entre eles cinco em Los Angeles (entre 22 e 27 de abril), um
histórico retorno a Manchester depois de mais de dez anos sem tocar na sua
cidade natal (justamente no dia 22 de maio, quando Moz completa 46 anos de
idade) e as participações nos festivais Green Energy Festival (5 de maio,
na Irlanda) e Lollapalooza (em julho, nos Estados Unidos, encerrando um
dia que também terá Sonic Youth, Black Rebel Motorcycle Club e Flaming
Lips). Resta torcer pelo retorno do rei ao Brasil. Abonico R.
Smith
Faixa-a-faixa
“America Is Not
the World” É uma faixa forte, que tem um verso engraçado sobre
hambúrgures. Típica de Morrissey, como "Meat is Murder", a canção fala que
os Estados Unidos é uma nação com fomentadores de guerras. O cantor,
pessoalmente, pede que os americanos sejam mais humildes – mas a música
não é anti-americana. Moz canta com uma voz melancólica sob um fundo
barulhento de uma guitarra e uma bateria ensurdeceres. Trechos da
letra: "Land of opportunity in a just and truthful way/ And where the
President is not black, female or gay" ("Terra de oportunidades de um
jeito verdadeiro/ Onde o presidente não é negro, mulher ou gay"); "I love
you/ I love you/ America/ But you are not the world" (Eu te amo/ Eu te
amo/ América/ Mas você não é o mundo").
“Irish Blood, English
Heart” Música já cantada em shows no ano retrasado. Uma canção
poderosa, extraordinária em todos os sentidos, “Irish Blood, English
Heart” ("Sangue Irlandês, Coração Inglês" – referência ao fato de
Morrissey ser inglês descendente de irlandeses) é um desabafo cantado com
raiva. Repetida e injustificadamente acusado, no início dos anos 90, pela
imprensa britânica por racismo e por usar a bandeira britânica em shows
(mais tarde outros fizeram a mesma coisa, sem qualquer reação por parte
dos jornalistas especializados), Moz responde que sonha com o tempo quando
ser inglês não será pernicioso, quando segurar a bandeira não fará ninguém
se sentir envergonhado, racista ou racial. Ele canta que sonha com um
tempo em que os ingleses estarão com o saco cheio dos trabalhistas e
conservadores, cuspirão no nome de Oliver Cromwell e denunciarão “esta”
família real. Com um extraordinário crescendo e clima épico, “Irish
Blood, English Heart” tem uma música quase tão boa quanto a sua letra.
Letra completa, conforme cantada nos shows do ano retrasado: "Irish
blood, English heart/ This I’m made of/ There is no one on earth I’m
afraid of/ And no regime can buy or sell me/ I’ve been dreaming of a time/
When to be English is not to be baneful/ To be standing by the flag, not
feeling shameful/ Racist or racial?/ Irish blood, English heart/ This I’m
made of/ There is no one on earth I’m afraid of/ And I will die with both
of my hands untied/ I’ve been dreaming of a time/ When the English are
sick to death/ Of Labour, and Tories/ And spit upon the name Oliver
Cromwell/ And denounce this royal line that still salutes him/ And will
salute him/ Forever",
“I Have Forgiven Jesus” Letra com
a familiar franqueza de Morrissey, na brilhante relação entre os dias da
semana e estados de espírito. Trecho da letra: "Monday,
humiliation/ Tuesday, suffocation/ Wednesday, condescension/ Thursday is
pathetic/ By Friday, life has killed me” (Segunda-feira, humilhação/
Terça, asfixia/ Quarta, condescendência/ Quinta é patética/ Na sexta, a
vida me matou”). Curiosidade: existe uma versão de "I Have Forgiven
Jesus" circulando na internet que é falsa, bastante próxima do estilo de
Morrissey mas feita por uma banda sueca chamada Boys.
“Come
Back to Camden” Canção no clássico estilo de Morrissey. Balada com
piano, no mesmo estilo das belíssimas “I Know It's Gonna Happen Someday” e
“Trouble Loves Me”, e na qual o mancuniano usa falsetes. A letra lembra
muito “Everyday Is Like Sunday” e mostra que o cantor está em grande forma
no modo de contar histórias. Trecho da letra: "Drinking tea with a
taste of the Thames/ where taxi drivers never stop talking under stale
gray Victorian sky" (“Tomando chá com um gosto do Tâmisa/ onde motoristas
de táxi nunca param de falar sob um antiquado céu vitoriano).
“I'm Not Sorry” Grande solo solo de flauta, mais uma
guitarra zumbindo sob um som de bateria em loop. Morrissey não tem
arrependimentos do que já fez. Trechos da letra: "The woman of my
dreams, she never came along/ The woman of my dreams, well, there never
was one" (“A mulher dos meus sonhos, ela nunca ficou comigo/ A mulher dos
meus sonhos, bem, nunca existiu uma”); "I'm not sorry for the things I've
done" (“Eu não me arrependo das coisas que fiz”); "There's a wildman in my
head" (“Há um homem selvagem na minha cabeça”).
“The World Is
Full of Crashing Bores” Executada em shows. "O mundo está cheio de
pessoas terrivelmente chatas", mas ele "também deve ser um destes, já que
ninguém pede para tomar-lhe em seus braços", canta. "O que há na minha
cabeça? Poderia ser o mar – com o destino movendo-se atrás de mim. Não, na
verdade são apenas mais popstars doentes e grosseiros, com nada
para transmitir", completa o cantor. Em uma entrevista recente, Morrissey
disse que escrevia letras sob pontos de vista de outras pessoas. Parece
ser o caso aqui, dada a insignificância dos pensamentos nesta canção
muitíssimo bem bolada. Letra completa, conforme cantada nos shows do
ano retrasado: You must be wondering how, the boy next door turned
out/ Have a care, but don't stare because he's still there/ Demented
policemen, policemen, silly willy taxmen, uniformed whores/ They who wish
to hurt you, they work within the law/ This world is full of, so full of
crashing bores/ And I must be one cos no one ever turns to me to say take
me in your arms/ Take me in your arms, and love me/ You must be wondering
how, the boy next door turned out/ Have a care and say a prayer because
he's still there/ Demented policemen policemen, silly willy taxmen,
uniformed whores/ Educated criminals represent the law/ This world is
full, so full of crashing bores/ And I must be one cos no one ever turns
to me to say take me in your arms/ Take me in your arms and love me/ And
love me/ What really lies beyond the constraints of my mind/ Could it be
the sea – with fate moving back at me/ No it's just more lockjaw popstars/
Thicker than pig shit, nothing to convey/ They're so scared to show
intelligence, it might smear a lovely career/ This world, I am afraid is
designed for crashing bores/ I am not one, I am not one/ You don't
understand, you don't understand/ And yet you can take me in your arms and
love me, love me, and love me/ Take me in your arms and love me…/ Love me,
oh love me/ Take me in your arms and love me.../ Take me in your arms and
love me, what you do, what you do, what you say...”
“How Could
Anybody Possibly Know How I Feel?” Como alguém poderia saber como
me sinto? Com um título espetacular destes, a música nem precisa ser
ouvida para ser admirada – falaê!
“The First Of The Gang To
Die” Também cantada por Morrissey em shows, a letra conta a
história de Hector, "o primeiro da gangue com um revólver na mão e o
primeiro da gangue a morrer". Em um belo jogo de palavras, o cantor conta
que "ele roubou do rico e do pobre, e do não muito rico e do muito pobre"
(“He stole from the rich and the poor and the not very rich and the very
poor”). Mas, apesar de "bobo", Hector "levou nossos corações embora".
Mesmo contando a história do primeiro da gangue a morrer, a música é bem
animada – como acontecia freqüentemente no tempo dos Smiths, quando letras
aparentemente tristes eram embaladas por melodias muito alegres. Letra
completa, conforme cantada nos shows do ano retrasado: You have never
been in love until you've seen the stars reflect in the reservoirs/ And
you have never been in love/ Until you've seen the dawn rise behind the
home for the blind/ We are the pretty petty thieves, and you're standing
on our streets/ Where Hector was the first of the gang with a gun in his
hand/ And the first to do time/ The first of the gang to die, such a silly
boy/ Hector was the first of the gang with a gun in his hand/ And the
first to do time/ The first of the gang to die, oh my/ You have never been
in love/ Until you've seen the sunlight thrown over smashed human bones/
We are the pretty petty thieves, and you're standing on our streets?/
Where Hector was the first of the gang with a gun in his hand/ And the
first to do time/ The first of the gang to die, oh my/ Hector was the
first of the gang with a gun in his hand/ And a bullet in his gullet/ And
the first lost lad, under the sod/ And he stole from the rich and the poor
and the not very rich and the very poor/ And he stole our heart away, he
stole our hearts away/ He stole our hearts away, ahey ahey ahey, ahey
ahey/ He stole our hearts away”
“Let Me Kiss
You” Composta para Nancy Sinatra, que anunciou que vai cantá-la com
o próprio Morrissey em seu próximo álbum. É mais uma canção do mancuniano
que fala de problemas no amor. Trechos da letra: "Close your eyes
and think of someone you physically admire" (“Feche os olhos e pense em
alguém que você admira fisicamente"); "You open your eyes and find someone
you physically despise" (“Você abre os olhos e descobre alguém que você
despreza fisicamente"). Curiosidade: Foram descobertas duas letras
na internet que supostamente são de Moz. Uma delas é a de “Let Me Kiss
You” e a outra é a de “My Life Is A Series Of People Saying Goodbye”,
canção que não fará parte de You Are The Quarry, chamada. As letras
estão aqui.
“All
The Lazy Dykes” Praticamente não há informações disponíveis sobre
esta música, cujo título em português é "Todas as Sapatas Preguiçosas".
“I Like You” Incluída no repertório dos shows do ano
retrasado, “I Like You” (“Eu Gosto de Você”) possui melodia luminosa. A
pessoa amada é descrita: pensa na mesma linha que ele; ninguém que ele
conheceu ou conversou sequer se parece com ela; os magistrados hipócritas
olham para ela e a inveja os faz chorar. Mesmo com todas estas qualidades,
ele tem vergonha de amá-la, pois ela deixou dele sem maiores explicações
("como ela pôde fazer isso depois das coisas que me disse?"). A maneira
como Morrissey descreve o seu amor nesta letra é bastante feliz – e mostra
que ele não conhecia realmente bem a pessoa amada. Há informações de que a
versão de estúdio, que começa com algo semelhante a um sintetizador (com
bons resultados), é melhor do que a versão ao vivo. Letra completa,
conforme cantada nos shows do ano retrasado: Something in you
caused me to take a new tact with you/ I was going through something/ You
had just about scraped through/ Why'd you think I let you get away with
the things you say to me/ Could it be? I like you/ So shameful of me, I
like you/ No one I ever knew or have spoken to resembles you/ This is good
and bad all depending on my general view/ Why'd you think I let you get
away with all the things you say to me?/ Could it be? I like you/ So
shameful of me, I like you/ Magistrates who spend their lives hiding their
mistakes/ They look at you and I and envy makes them cry/ Envy makes them
cry/ Forces of containment, they shove their fat faces into mine/ You and
I just smile because we're thinking the same line/ Why'd you think I let
you get away with all the things you say to me?/ Could it be? I like you/
So shameful of me, I like you/ You're not right in the head, and nor am I,
and this is why/ You're not right in the head, and nor am I, and this is
why/ This is why I like you, I like you, I like you/ This is why I like
you, I like you, I like you/ You're not right in the head, and nor am I,
and this is why/ You're not right in the head, and nor am I, and this is
why/ This is why I like you, I like you, I like you”.
“You Know
I Couldn't Last” Épico de seis minutos com estrofes suaves e o
refrões enfáticos. Morrissey usa, como inspiração, anos de críticas
violentamente negativas que inconscientemente acabaram-no ajudando a
manter-se como ídolo. Depois, ele se lembra que seus royalties lhe
trouxeram luxúrias. Segundo o cantor, a música é a sua resposta "à
imprensa negativa que ele teve de suportar ao longo dos anos". Trechos
da letra: "The critics who can't break you/ They somehow help to make
you" (“Os críticos que não podem quebrá-lo/ De alguma maneira eles ajudam
a faze-lo”), "The critics can't break you/ they unwittingly make you."
(“Os críticos não podem quebrá-lo/ Eles inconscientemente fazem você”) e
"Your royalties bring you luxuries" (“Seus direitos autorais trazem-no
luxúria”).
Faixas que ficaram de fora e podem vir como
b-sides de singles Além da supracitada “My Life Is A
Series Of People Saying Goodbye”, também ficaram foram excluídas de You
Are The Quarry as canções “The Slum Mums” (que foi gravada nas sessões
de estúdio) e “México”, executada em alguns shows do ano
retrasado. Fabrício Muller
Discografia
Viva Hate (1988/1997) Morrissey disse, em uma
entrevista, que foi importante o lançamento deste disco pouco tempo depois
do fim dos Smiths, para que o grande público logo tomasse conhecimento da
sua carreira como cantor solo. E ele foi feliz neste intento. Viva
Hate, que impressiona pela variedade musical, alcançou grande sucesso
comercial, chegando ao primeiro posto da parada britânica. Os maiores
destaques são os hits “Everyday Is Like Sunday” e “Suedehead”, a
acolhedora “Break Up The Family”, a desesperada “Angel, Angel, Down We Go
Toghether” e a amarga e debochada “Ordinary Boys”. Em 1997, este mesmo
álbum foi relançado – com capa diferente e o acréscimo de oito faixas
excluídas da primeira edição.
Bona Drag (1990) A
maior parte da crítica odiou esta coletânea de singles lançados
entre 1987 e 1989. A extinta revista Bizz, por exemplo, chamou Bona
Drag de “conjunto de canções anódinas”. Mas hoje, ouvido com calma, é
impressionante como um punhado de canções – a maioria delas simples e
aparentemente despretensiosas – pode deixar o ouvinte tão feliz. As
melhores são a melodiosa “Will Never Marry”, as ensolaradas “Picadilly
Palare” e “Hairdresser On Fire” e a meio-engraçada-meio-pungente “Ouija
Board, Ouija Board”. (Interessante notar que este disco tem “Suedehead” e
“Everyday Is Like Sunday”, que já haviam sido lançadas em Viva Hate
– a repetição de faixas é uma constante na carreira de Morrissey, tanto
solo quanto nos Smiths.)
Kill Uncle (1991) Amargo
e difícil, este álbum foi ainda mais desprezado pela crítica do que o
anterior. É extremamente lento – a impressão que dá nas primeiras audições
é que Kill Uncle simplesmente não consegue sair do lugar. Com o
tempo, entretanto, o disco cresceu – e muito – em qualidade. Hoje em dia
simplesmente não dá para negar a excelência de canções complexas e
angustiantes como “Mute Witness”, “The Harsh Truth Of The Camera Eye” e
“There's A Place In Hell For Me And My Friends”.
Your
Arsenal (1992) Significou um renascimento para Morrissey, tanto
em termos de crítica como de público – nenhum outro disco da cantor havia
vendido tanto nos Estados Unidos, incluindo os dos Smiths. Neste álbum,
ele flerta com o rockabilly, com canções mais pesadas do que fizera
em praticamente toda a sua carreira (“We Hate When Our Friends Become
Successful”, “You're Gonna Need Someone On Your Side”), além das
emocionantes “I Know It's Gonna Happen Someday” (balada valseada no melhor
estilo fiftie) e “We'll Let You Know” (espécie de "resumo de toda a
sua carreira", segundo o próprio cantor, que considera esta a sua melhor
canção).
Beethoven Was Deaf (1993) Segundo o
encarte, este disco foi todo gravado ao vivo em Paris – entretanto,
algumas canções foram gravadas em outro show, em Londres. O álbum foi
lançado aproveitando o sucesso de Your Arsenal, e é quase todo
baseado neste. Como bem notou na época o grande jornalista José Augusto
Lemos, algumas canções (como “We'll Let You Know”, “He Knows I'd Love To
See Him” e “National Front Disco”) estão melhores aqui do que nas versões
de estúdio.
Vauxhall And I (1994) Brilhante em
todos os sentidos, este álbum é considerado por muitos o melhor disco da
carreira solo de Morrissey. Mais lento que Your Arsenal,
Vauxhall And I tem tanto letras extraordinárias (a assustadora
“Lifeguard Sleeping, Girl Drowning”, e a impressionante “Why Don't You
Find For Yourself”) quanto melodias arrebatadoras (“Now My Heart Is Full”,
“The More You Ignore Me, The Closer I Get”, “Speedway”). No todo, um disco
melancólico, pungente e muito, mas muito emocionante.
World
Of Morrissey (1995) Coletânea com lados-A de singles,
além de músicas que já haviam aparecido em outros discos. O maior destaque
é “Boxers”, uma das mais belas canções que Morrissey já fez (se não a mais
bela de todas).
Southpaw Grammar (1995) O álbum
mais barulhento de toda a carreira de Morrissey foi injustamente
desprezado por grande parte da crítica, que simplesmente ignorou o seu
impressionante punch. Os maiores destaques são “Reader Meet Author”
(que tem a frase “Have you ever escaped from a shipwrecked life?” – “Você
já escapou de uma vida naufragada?”), a épica e sombria “The Teachers Are
Afraid Of The Pupils” e as pesadas “Do Your Best And Don't Worry” e “Best
Friend On The Payroll”.
Maladjusted (1997) O mais
recente álbum de estúdio de Morrissey é irregular. Tem algumas faixas
excelentes (a complexa faixa-título, as pungentes “Trouble Loves Me”,
“Ammunition” e “Alma Matters”), e outras nem tanto (a lenta “He Cried” e a
chata “Roy's Keen”).
The Best Of Morrissey
(1997) Coletânea da EMI feita especialmente para o mercado inglês,
com os maiores sucessos do cantor nos discos solo lançados pela gravadora
(de Viva Hate até World Of Morrissey), além de apresentar
algumas canções que não haviam saído anteriormente em álbuns – como
“Interlude”, dueto com Siouxsie Sioux.
My Early Burglary
Years (1998) A expectativa era de uma coletânea apenas com
b-sides, mas o disco acabou sendo lançado também com faixas que
tinham aparecido em outros álbuns. No todo, My Early Burglary Years
ficou extraordinário, um disco para se levar para uma ilha deserta. Tem
uma espetacular seqüência (as intensas e profundamente emocionantes “I'd
Love To”, “Girl Least Likely To”, “I've Changed My Plea To Guilty” e
“Michael's Bonés”) que também é encontrada na supracitada reedição do
álbum Viva Hate. Tem as pérolas “Swallow On My Neck”, “Black-Eyed
Susan”, “Jack The Ripper” (ao vivo) e “Reader Meet Author. Como se não
bastasse, ainda tem “Boxers” e uma nova versão do T-Rex (“Cosmic Dancer”,
também ao vivo).
Oye Esteban (DVD, 2000) O único
DVD de Moz, até agora. Compila 19 videoclipes lançados pelo cantor em sua
carreira solo: “Everyday Is Like Sunday”, “Suedehead”, “Will Never Marry
(Live)”, “November Spawned A Monster”, “Interesting Drug”, “Last Of The
Famous International Playboys”, “My Love Life”, “Sing Your Life”,
“Seasick, Yet Still Docked”, “We Hate It When Our Friends Become
Successful”, “Glamorous Glue”, “Tomorrow”, “You're The One For Me Fatty”,
“The More You Ignore Me, The Closer I Get”, “Pregnant For The Last Time”,
“Boxers”, “Daggenham Dave”, “Boy Racer”, “Sunny”.
The Best
Of Morrissey (2001) Coletânea da Rhino Records com excelente
qualidade de edição, feita especialmente para o mercado norte-americano. O
disco, cujo repertório foi escolhido pelo próprio Morrissey, engloba toda
a carreira solo do cantor até Maladjusted.
B-sides Os Smiths não lançaram em álbuns grandes canções
como “Jeanne” e “I Keep Mine Hidden”. Na carreira solo de Morrissey, a
coisa se torna ainda mais incompreensível. É impossível alguém adivinhar
por que alguém põe em lados B de singles canções como as belíssimas
“Lost” (para mim, uma das músicas mais bonitas de todos os tempos), “I
Know Very Well Where I Got My Name”, a versão de estúdio (e cheia de
climas) de Jack The Ripper e a angustiante “This Is Not Your Country”.
(FM)
Ao Vivo
Morrissey Forum (Curitiba) – 01.04.2000
Cheguei bem cedo e fiquei quase uma hora na fila antes da casa ser
aberta. A noite estava um pouco fria e logo os fãs mais fervorosos foram
chegando. Ainda lá fora pude reconhecer algumas meninas que acompanham o
Morrissey pelo mundo – como Julia Riley e as moças do site MorrisseyTour.
Quando a porta foi aberta o pessoal do gargarejo foi correndo para a
primeira fila – enquanto eu subi para o primeiro balcão, onde fiquei
sentado o show inteiro, em um ótimo lugar.
O som do local
reproduzia peças para solo de violoncelo com a grande Jacqueline du Pré –
o que acabava acalmando quem estava nervoso (eu estava). Então começou
(bem alto agora) a estranha seqüência de canções punk, músicas no estilo
Broadway e algumas coisas de pop de vanguarda que eram executados antes da
turnê de Morrissey de 2000 (a lista destas músicas está reproduzida aqui). E era um pop de vanguarda a penúltima
antes do show, a que deixou o pessoal realmente excitado pela proximidade
do real início do espetáculo: a belíssima "Innocent and and Vain", com
Nico. Depois, "Smile", com Timi Yuro. E o show estava quase começando.
Então entrou Morrissey, com uma camisa aberta no meio do peito,
jeans apertados, topete e cabelo penteados para trás e com muito gel.
Parecia um verdadeiro latin lover. Suas primeiras palavras: "It's a
dream to be here" (“eu que o diga”, pensei comigo). A primeira do set
list foi "Haidresser on Fire", e, lá de cima, pude perceber que quase
todos na Forum conheciam quase todas as músicas, apesar dos grandes
sucessos não terem sido executados. Se por um lado o preço do ingresso
dificultara que a casa tivesse a lotação esgotada, por outro o público
todo conhecia – e gostava muito – do que estava ouvindo.
Mas o que
não esperávamos é que Morrissey estivesse tão feliz. Eu já o havia visto
em alguns shows e apresentações no vídeo, mas nada se comparava ao
verdadeiro prazer que ele parecia estar sentindo. Seus movimentos já
conhecidos (andar de um lado para o outro, brincar com o fio do microfone
como se fosse um chicote, socar o ar), estavam lentos, tranqüilos, como se
quisesse aproveitar cada segundo em Curitiba. E assim continuou o show até
o final. Trocou de camisa algumas vezes, mostrando o corpo em ótima forma
(para delírio de algumas garotas), apertou muitas mãos, fez brincadeiras
(chegou a dizer "Obrigado" ao final de uma canção, sem sotaque), tocou a
maioria das músicas de maneira extremamente pesada ("Lost", lentíssima em
disco, parecia heavy metal ao vivo). Foi um showman
completo. Mas a sua alegria é o que realmente impressionou.
Quanto
a mim, estava meio chateado no meio do set, por saber que logo ele
iria terminar. Mas como ele disse algumas vezes durante um intervalo entre
duas músicas: "Tenha coragem. Nós não terminamos ainda”. E quando o show
realmente acabou, fiquei muito tempo olhando os rostos das pessoas na
Fórum. Poucas vezes vi na vida tanta gente junta feliz e rindo à toa.
(FM)
Mozmania
Se você domina o inglês, tem
acesso à internet e quer saber alguma coisa sobre o Morrissey, a partir de
apenas um único site poderá ter acesso a virtualmente TUDO a
respeito do maior cantor e poeta (e inglês vivo) de todos os tempos.
O site chama-se Morrissey-Solo.
Morrissey-Solo. Ele é mantido por um americano chamado David Tseng e não é
oficial. O trabalho de Tseng para manter a página é fantástico – todos os
fãs do Morrissey têm uma profunda dívida de gratidão para com ele.
Ao acessar o site, você tem em destaque as últimas notícias
sobre o cantor. No lado esquerdo superior estão os links para
páginas de discussão, outros links, chat, etc. No centro
podem ser lidas as últimas notícias sobre o cantor, enviadas normalmente
pelos próprios acessantes.
Se você quiser mandar alguma notícia
sobre Moz (ou mesmo uma nota insignificante sobre ele que você lera na
imprensa), mande o texto para o e-mail de Tseng . Em se tratando de
Morrissey, às vezes fica-se quase um ano sem qualquer notícia – já que o
cara não é alcoólatra, não usa drogas, não fuma, não come carne, não
quebra hotéis e quase não dá entrevistas. Se não houver shows ou um
lançamento de disco, simplesmente não há notícia. Então surgem apenas
notinhas que saem na imprensa da Inglaterra, sobre comentários maldosos
feitos por Henry Rollins ou ainda sobre a amizade entre o cantor e Michael
Stipe. Abaixo de cada notícia existe ainda um link para discussões
sobre a própria notícia, onde muitas vezes a barra pesa.
Algumas
das seções do Morrissey-Solo são bastante interessantes. A página Tour
apresenta as datas dos shows, os locais e os pontos de venda de ingressos.
Para cada apresentação há um link específico para discussões – e
que normalmente apresenta o set list (a lista das canções
executadas no palco). A cada nova apresentação, os fãs do mundo inteiro
correm para a página correspondente, para saber como ela foi e qual o
set escolhido. Às vezes um comentário sobre um show chega a ter
mais de quatrocentas visitas.
Em Discussion Boards, além das
páginas de discussões citadas anteriormente, existem mais três: fórum
geral de discussões, fórum geral sobre a turnê e fórum de compra e venda.
O fórum geral de discussões é o principal local do site para
muitos. Lá podem ser encontrados os verdadeiros webslaves de Moz,
pessoas que passam a vida tentando decifrar o homem, desde o seu gosto
pelo vegetarianismo até sua suposta vida sexual. A má notícia é que boa
parte dos fãs são pessoas esnobes que só escutam Suede, Belle &
Sebastian e Cure e que te mandam para o inferno se você gostar de Alanis
Morissette, Pearl Jam ou Black Sabbath. Para que se tenha uma idéia, foi
feita uma pesquisa, há muitos anos, entre os próprios acessantes do
Morrissey-solo e apenas 9% deles achavam que os fãs do Morrissey não são
esnobes em geral. As boas notícias são que alguns fãs são pessoas geniais
e você pode perceber que não é o único maluco no mundo. Já no Chat, a
discussão obviamente é mais descontraída.
A seção Content também é
bastante interessante. Tem todas as entrevistas mais recentes de
Morrissey, por exemplo (que já apareceram na página principal de
notícias).
Existe ainda um site chamado Shoplifters Union,
mantido pelo finlandês Stefan Sahlander, cujo objetivo é criar links para
todas as páginas sobre o Morrissey e Smiths na Internet. Não bastando ser
a melhor página de discussões e notícias sobre o Morrissey, a
Morrissey-Solo acabou oferecendo o seu servidor para a Shoplifters Union
sobreviver. Desde então, não falta mais nada para a Morrissey-Solo ser a
página que você deve acessar primeiro quando quiser saber algo sobre o
cantor. (FM) |
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