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7:24 p.m. - 2005-06-22
Metal/industrial: disco Houses of the molé, do Ministry
Ministro x presidente
Depois de enfrentar processo de decadência criativa por causa
de abuso de drogas e dedicação a projetos paralelos, o Ministry,
agora com seu núcleo central reduzido a Al Jourgensen, celebra seu
“renascimento” com um álbum que equipara a sonoridade furiosa da banda ao
ódio sentido por George W. Bush, a ponto de quase todas as faixas
iniciarem com a inicial do nome do meio do atual chefe da Casa Branca.
Fabrício Muller ouviu The Houses Of The Molé. |
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Fúria metálico-industrial de Al Jourgensen
se volta contra George W. Bush |
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O Ministry conheceu grande sucesso de público e
crítica em 1992, com o lançamento de Psalm 69: The Way To Succeed And
The Way To Suck Eggs. De lá para cá a banda entrou em um acentuado
processo de decadência por causa de abuso de drogas e o grande número de
projetos paralelos de Al Jourgensen e Paul Barker (a dupla que era o cerne
do grupo).
Chegamos em 2004. Paul Barker saiu e Jourgensen
convidou outros músicos para criar The Houses Of The Molé (WEA,
importado), álbum que está sendo considerado por grande parte da crítica
uma espécie de “renascimento” da banda. Realmente, este é um fenomenal
disco de rock pesado, com a conhecida mistura de industrial e metal que
fez a fama do Ministry, e onde quase todas as faixas começam com a letra W
(referência a George W. Bush, odiado pela banda).
O álbum começa
da maneira mais clichê possível: “No ‘W’” inicia com uma famosa (e batida)
passagem de Carmina Burana – mas a passagem desta para o riff
thrashy e poderoso que vem a seguir é coisa de gênio. E a letra não
deixa por menos: "Me pergunte por que você se sente ferrado/ E eu vou te
dar a resposta/ Tem um Colin, um Dick, um Bush/ forçando a barra por aí".
Outro riff veloz e hipnótico é o que o Ministry apresenta a seguir,
na ótima “Waiting”, que tem alguns jogos de palavras intraduzíveis
(“Wasting my time in the USA/ (...) Waiting for a life in the USA” –
"Desperdiçando meu tempo nos EUA/ (...) Esperando por uma vida nos EUA").
A faixa seguinte, “Worthless”, é meio repetitiva e sem atrativos mas
“Wrong”, a que vem depois, é uma das mais complexas, pesadas e brilhantes
de todo o álbum – começa lenta e arrastada (e muito semelhante a
“Scarecrow”, do álbum Psalm 69), mas logo outro riff matador
toma conta. A letra acusa violentamente as classes dominantes: "O que faz
você pensar que nós poderíamos acreditar/ Em um mentiroso maior, menor na
avareza/ Você se aproveita das pessoas necessitadas/ Hipocrisia". Outro
riff rapidíssimo é o que vem a seguir, na poderosa “Warp City”, que
conta uma série de historinhas rápidas como esta: “Ela começou bebendo
vinho/ E então não pôde parar/ Ela devia estar fora de si/ E é por isto
que ela teve que ser fuzilada”.
Quando o ouvinte já começa a achar
que ninguém pode manter um disco no altíssimo nível que The Houses Of
The Molé vinha mantendo, vem a melhor faixa de todas: “WTV”, uma
retomada de “TV II” (também de Psalm 69) com guitarras
rapidíssimas, paradas, idas e voltas; berros, sons de vozes e sons de
furadeiras elétricas: uma faixa caótica, imprevisível e impressionante. A
letra acompanha esta loucura toda ("Eu escuto vozes na minha cabeça/ A voz
de alguém na minha cabeça/ Tenha medo/ Tenha medo/ Paranóico e depravado/
Código vermelho/ Código amarelo/ (...) Faça isto parar/ Faça isto parar").
As três últimas músicas "oficiais" do álbum (“World”, “WKYJ” e
“Worm”) são interessantes mas bem menos brilhantes do que as que vieram
antes. É como se o Ministry tivesse exaurido suas forças. As duas faixas
"escondidas" são experimentais, com ruídos, músicas e ritmos de diversos
tipos (inclusive trechos das ditas "oficiais"). Nad, porém, que arranhe o
brilhantismo deste excepcional disco que é The Houses Of The Molé.
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