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3:46 p.m. - 2005-06-22
Livro: 007 contra Moscou, de Ian Fleming
Meu nome é Bond
Espião que fez carreira de sucesso no cinema ganha novamente
as livrarias brasileiras, através do relançamento das obras originais
escritas por Ian Fleming. O primeiro volume da série é Moscou Contra
007, cuja trama envolve um sórdido plano de uma organização
governamental secreta russa para matar o agente britânico de forma sórdida
e humilhante. Fabrício Muller analisa o relançamento e revela que
fora das telas a queda por mulheres é um grande defeito de James
Bond. |
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Sean Connery interpretou James Bond no
filme Moscou Contra 007 (1963) |
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A Editora Record está relançando os livros
originais do famosíssimo personagem James Bond, escritos pelo escritor
inglês Ian Fleming. O primeiro volume da série é Moscou Contra 007
(318 páginas, R$ 36), que foi levado ao cinema em 1963, com Sean Connery
no papel principal.
No livro, a organização governamental secreta
soviética SMERSH, responsável pelas execuções de espiões por todo o mundo
no tempo da guerra fria, quer causar uma derrota arrasadora no serviço
secreto britânico. O objetivo russo é matar o mais famoso agente inglês,
James Bond, de maneira escandalosa e humilhante. Para isto é convocada uma
bela agente secreta soviética, Tatiana Romanova, que tem a função de fazer
sexo com Bond e envolvê-lo em uma trama sórdida – a própria agente russa,
entretanto, só sabe um pedaço da história.
O restante de Moscou
Contra 007 conta a aventura dos russos atrás de Bond (e de Tatiana) em
Istambul e no famoso trem Expresso Oriente . Nem vale a pena entrar em
muitos detalhes aqui, para não estragar a surpresa de quem vai ler o livro
sem ter visto o filme com Sean Connery.
Moscou Contra 007 é
um livro bem escrito, de leitura leve e agradável – e que prende a atenção
do leitor durante grande parte de suas 318 páginas. Ele concentra-se mais
na preparação da ação do que na ação propriamente dita. A primeira parte,
com cerca de cem páginas – possivelmente o trecho mais fascinante do livro
– trata dos preparativos dos russos, descrevendo com detalhes um tanto
chocantes a mentalidade do serviço secreto soviético da época. Bond, além
disso, só vem mesmo encontrar a espiã Tatiana na página 217.
O
personagem do famoso espião inglês, aliás, é diferente em aspectos
importantes daquele apresentado pelo cinema. Se por um lado fica claro que
ele possui bela aparência física, por outro Fleming não faz qualquer
questão de mostrá-lo como um charmoso Casanova. Fora dos filmes, aliás,
sua queda por mulheres mais parece um perigoso defeito do que uma
qualidade a ser invejada. Além disso, em mais de um trecho do livro, James
Bond parece sinceramente angustiado com o tipo de vida violenta que leva.
Outro ponto interessante do livro são três personagens bem
delineados e que grudam na memória do leitor: o psicopata inglês Donovan
Grant, assassino frio que se tornava especialmente violento em noites de
lua cheia; Rosa Klebb, homossexual fria e desumana, a manda-chuva da
SMERSH; e o mais fascinante de todos, o intenso e caloroso Darko Kerim, um
turco milionário que trabalhava em Istambul para os ingleses.
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