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3:00 p.m. - 2005-06-22
MPB: disco de Maria Rita
Filha de peixe?
Comparações com Elis Regina são inevitáveis no lançamento de
Maria Rita como cantora. Sobretudo, na construção do repertório,
com estilos musicais e confessionais bem parecidos. Só que a filha,
sabiamente, foge das semelhanças com a mãe. Depois de ouvir Maria
Rita, o disco, Fabrício Muller analisa as diferenças na
sinterpretações vocais das duas e ainda revela que os pontos altos,
curiosamente, não estão no CD, mas em um site secreto na
internet. |
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Maria Rita quer provar que não é a
peixinha que todos os fãs de sua mãe estavam esperando |
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Foi lendo uma resenha no Estadão que ouvi falar em
Maria Rita pela primeira vez. Ela estava acompanhando o show de um
violonista – mas quase todo o mundo, pelo visto, estava lá apenas e tão
somente para ver a cantora. O tom do resenhista era de um completo
deslumbramento – e, claro, havia comentários sobre a mãe de Maria Rita,
Elis Regina, considerada por muita, mas muita gente mesmo (não por mim,
diga-se de passagem) a maior cantora brasileira de todos os tempos.
Bem, é impossível falar em Maria Rita sem compará-la com a sua
mãe. Conforme se percebe em seu CD homônimo, recém-lançado pela Warner, o
seu timbre é, em muitos momentos, impressionantemente parecido com o de
Elis. O que deixa muitos fãs da mãe emocionados – às lágrimas – nos shows
de Maria Rita.
Mas há diferenças: a voz da filha é um pouco mais
anasalada que a da mãe. Mais do que isto, Maria Rita é muito mais
tranqüila. Elis tinha – na minha modesta e solitária opinião – tal
intensidade dramática nas suas interpretações (um engraçadinho poderia
falar em agitação), que freqüentemente chegava a irritar. No quesito
tranqüilidade, portanto, ponto para a filha.
Vamos ao disco. Por
mais que Maria Rita tenha declarado – com sabedoria – que jamais regravará
uma música da mãe, o estilo das suas músicas é demasiadamente parecido.
Tem um bolero (“Dos Gardênias”), um samba divertido (“Cara Valente”), as
músicas de Milton Nascimento (“A Festa” e “Encontros e Despedidas”), as da
Rita Lee (“Agora Só Falta Você” e “Pagu”) e as confessionais sob o ponto
de vista feminino (“Não Vale A Pena”). Além disso, duas regravações são
discutíveis: tanto a versão de Milton Nascimento para “Encontros e
Despedidas” quanto a do Los Hermanos para “Veja Bem Meu Bem” são bem
superiores às de Maria Rita. E tem as músicas de Rita Lee, claro –
péssimas, péssimas.
De todo o modo, é preciso que se diga que
Maria Rita está longe de ser um mau disco. “A Festa”, a "música de
trabalho", é deliciosa, assim como a supracitada “Dos Gardênias”. As
inéditas do hermano Marcelo Camelo (“Cara Valente” e “Santa Chuva”)
também não fazem feio. “Menina da Lua” (de Renato Mota) é emocionante,
para dizer o mínimo. Também muito boa é “Lavadeira do Rio” (de Lenine e B.
Tavares), com uma levada de ritmos regionais do Nordeste.
O mais
espantoso, porém, é que as duas melhores "faixas", a emocionante “Vero”
(de Natan Marques e Murilo Antunes) e a pungente “Estrela, Estrela” (de
Vitor Ramil), somente podem ser obtidas quando baixadas da internet em um
site secreto – que só pode ser acessado por quem comprar o CD
original. Um verdadeiro tesouro secreto...
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