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6:57 p.m. - 2005-06-22
Matéria: 100 maiores canções (junto com Abonico)
100 Love Songs
Amor e música pop sempre andaram de braços. Prova disso são
as cem músicas listadas pelo Bacana. De Cure e Morrissey a Marvin
Gaye e Frank Sinatra, aqui tem o relacionamento amoroso cantado de todas
as formas para um Dia dos Namorados com trilha sonora ideal. Textos
escritos por Abonico Smith e Fabricio Muller. |
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Corações apaixonados são uma constante nas
letras do Cure |
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“Just Like Heaven” Quem:
Cure Por quê: Declaração de amor das mais pungentes. Brinca com
a sensualidade das palavras e a doçura típica da persona construída
por Robert Smith, que diz ter “sonhado com todas as maneiras diferentes de
fazê-la brilhar” e termina com um fulminante “você é como o paraíso”.
“Superstar” Quem: Sonic Youth Por quê:
Um bandolim “chora” a melodia sobre uma enxurrada microfonias e ruídos
mixada lá no fundo. Enquanto isso, Thurston Moore sussurra languidamente
provocantes versos de amor platônico por uma estrela do rádio. Cover dos
Carpenters que provoca arrepios.
“Drain
You” Quem: Nirvana Por quê: Nada pode parar este
amor apaixonado e desesperadamente carnal. Nem mesmo o fato de um
organismo absorver o que vem do outro – mesmo que seja comida mastigada ou
urina.
“Mockingbirds” Quem: Grant Lee
Buffalo Por quê: Só a combinação do cello com o falsete
de Grant Lee Phillips já seria suficiente para esta música aflorar todas
as emoções. Versos como “Você veio de longe para requerer seu lugar no
trono” e “Você me trouxe para dentro do seu coração e então afogou meu
orgulho” podem derramar um mar de lágrimas caso alguém se identifique com
a dor-de-cotovelo.
“The Wrong Girl” Quem: Belle
& Sebastian Por quê: Stevie Jackson assume que “finalmente
encontrou um amor verdadeiro, ainda que pela “garota errada”. A poética
dos escoceses sugere um amor quase proibido: “The wrong girl/ The wrong
kind/ The wrong hand to be holding/ The wrong eyes to go searching behind/
The wrong dream to have on my mind”
“Iris” Quem:
Goo Goo Dolls Por quê: No filme, um anjo perde as asas porque
não poderia suportar amar sem poder tocar ou ser visto pela amada. No
videoclipe, o vocalista John Rzeznik se coloca na posição de
flaneur, observando todos sem interferir nas ações. No refrão, o
Goo Goo Dolls arrasa os corações: “Eu não quero que o mundo me veja/
Porque acho que não iriam me entender/ Quando tudo é feito para ser
quebrado/ Eu só quero que você conheça quem sou eu”.
“Bizarre
Love Triangle” Quem: New Order Por quê: Umas das
mais belas letras já escritas sobre desencontros e desilusões amorosas.
“Toda vez que que vejo você se apaixonar/ Eu me ajoelho e rezo/ Fico
esperando por aquele momento/ Que você diga as palavras que eu não posso
dizer”, lamenta-se Bernand Sumner no refrão.
“Beautiful”. Quem: Smashing Pumpkins Por
quê: Enquanto a banda faz bastante barulho no primeiro disco, Billy
Corgan reserva para a metade final deste álbum duplo canções mais
românticas. Para contrastar com toda a simbologia da obra, barroca ao
extremo no projeto gráfico e em varias de suas letras, o vocalista deixa
de lado as grandiloqüências e se derrete sem rodeios: “Bela, você é bela,
tão bela quanto o céu/ Maravilhosa, é maravilhoso saber que você é assim
como eu/ (...) Nunca se esqueça de me chamar, a qualquer instante/ Eu
estarei bem aqui esperando por você/ Estarei sob suas estrelas para
sempre/ Nem lá nem cá, apenas bem ao seu lado”.
“Automatic
Stop” Quem: Strokes Por quê: “Tantos peixes no
mar/ Ela o queria, ele me queria”. Triângulo amoroso que ainda deixa
margem para uma leitura bissexual – sobretudo porque Julian Casablancas
não é nada afeito a cantar letras baseadas em personagens que não sejam
masculinos.
“My Funny Valentine” Quem: Frank
Sinatra Por quê: “Mas não mude o cabelo por mim/ Não se você se
importar comigo/ Fique Valentine [ou Namorada], fique”, canta Frank
Sinatra neste clássico absoluto.
“Truth Doesn't Make a
Noise” Quem: White Stripes Por quê: Jack White
odeia quando tratam mal sua namorada. Ela não grita para se defender,
“porque a verdade não faz barulho”. Genial!
“Killing
Moon” Quem: Echo & The Bunnymen Por quê:
Dilacerante canção de amor na qual Ian McCulloch lamenta a vitória do
destino e do tempo sobre o desejo.
“Sometimes
Always” Quem: Jesus & Mary Chain e Hope
Sandoval Por quê: Ele se arrependeu dos erros do passado e pede
para voltar. Ela, magoada, reluta no início mas acaba cedendo no final. Os
diálogos protagonizados por William Reid e sua namorada Hope são o momento
mais romântico da carreira do Jesus & Mary Chain.
“Love In
Vain” Quem: Robert Johnson Por quê: Neste
blues imortal, Johnson vê sua amada indo embora de trem. O apelo
visual da canção a deixa ainda mais pungente.
“All Is Full Of
Love” Quem: Björk Por quê: Sobre uma base
esquisita, a islandesa dá conselhos para acreditar no amor, mesmo que a
pessoa que o procure não esteja sintonizada na mesma freqüência receptora.
Visão otimista para quem passa sozinho o Dia dos Namorados.
“Your Love Is The Place Where I Come From” Quem:
Teenage Fanclub Por quê: Com um título desses nem precisava do
resto da letra. Para completar, há o belo jogo vocal feito por Norman
Blake, Gerard Love e Raymond McGinley.
“Heroes” Quem: David Bowie Por quê:
Cantar o amor em tempos de guerra já é um feito heróico. Bowie foi além.
Enquanto exilou-se na Alemanha no final dos anos 70, compôs este hino
sobre um casal que consegue enxergar sinais positivos mesmo confinado pela
frieza calculista do muro de Berlim.
“Creep” Quem: Radiohead Por quê: Nos
anos da política intervencionista de Bush e sua política de “vencer a
qualquer custo”, uma voz loser se perguntava: “Eu sou um fodido, um
esquisito/ O que diabos eu estou fazendo aqui?/ Não pertenço a este
lugar”. Os versos de duplo sentido também se referem a um conturbado
relacionamento amoroso: “Quando você esteve aqui antes/ Não pude olhá-la
nos olhos/ Você é como um ano/ Sua pele me faz chorar/ Você flutua como
uma pluma/ Em um belo mundo/ E como eu queria ser especial/ Você é mais do
que especial”.
“Buddy Holly” Quem:
Weezer Por quê: Eu sou Buddy Holly e você, Mary Tyler Moore.
Rivers Cuomo escancara toda sua nerdice ao celebrar os namoros ingênuos
dos anos 50, fazendo referências ao rock e a seriados de televisão (na
letra e no clipe) daquela época. O bubblegum que tinha tudo para
fazer a banda cair no ridículo logo no primeiro disco, acabou funcionando.
Melodia irresistível, guitarras pesadas e um refrão poderoso transformaram
a letra em um dos maiores clássicos da música pop na década de 90.
“Everybody Hurts” Quem: REM Por quê:
Clássica canção sobre desilusão amorosa. Em arranjo tocante, que no
decorrer da gravação vai crescendo em emoção e nuances sonoras até voltar
ao ponto de partida, Michael Stipe afirma que todo mundo magoa e todo
mundo chora. Fossa garantida para quem ainda não se acostumou à idéia de
perder um amor.
“N.I.B.” Quem: Black
Sabbath Por quê: O baterista da banda disse uma entrevista que
esta música mostrava satanás deixando de sê-lo pelo amor de uma mulher. De
qualquer forma, é impressionante.
“Well I
Wonder” Quem: Smiths Por quê: “Bem, eu queria
saber/ Você me ouve quando vai dormir/ (...) Você me vê quando
passamos?”... Morrissey querendo chamar a atenção da pessoa amada emociona
até uma pedra. “Por favor me mantenha em seus pensamentos”, ele pede
desesperadamente.
“Disco 2000” Quem:
Pulp Por quê: Amor perdido nos tempos da pré-adolescência
ressurge aos trinta e poucos anos. Contudo, somente de uma parte, que
ainda mantém um fiozinho de esperança de realizar o seu grande sonho.
Tocante letra de Jarvis Cocker, mestre em escrever sobre relacionamentos
amorosos e seus mais diversos estágios.
“Into My
Arms” Quem: Nick Cave & The Bad Seeds Por quê:
O australiano chorou o fim da relação com PJ Harvey compondo mais um de
seus belos hinos quase-religiosos (aqui, Cave suplica a Deus para que a
amada volte a seus braços).
“Taillights
Fade” Quem: Buffalo Tom Por quê: Reminiscências de
um amor passado, que foi intenso enquanto durou mas ainda permanece vivo
na memória.
“Will You Love Me Tomorrow” Quem:
Shirelles Por quê: Ao mesmo tempo em que canta “todas as
qualidades do amado, ela fica insegura com o futuro do relacionamento e
questiona: “você me amará amanhã. Clássico pop da década de 60, com
arranjo orquestrado, melodia irresistível e letra de chorar de tão bela.
“Please Mr Postman” Quem: Marvelettes Por
quê: Letra bobinha sobre garota que espera o amado retornar da guerra,
para onde foi mandado com a missão de defender o país. Enquanto isso, ela
importuna o carteiro diariamente, querendo saber se o namorado havia
escrito algo para ela. A força do refrão é impressionante e ainda ficou
melhor depois da regravação dos Beatles.
“In Love With a
Thug” Quem: Snoop Dogg Por quê: Snoop canta o amor
de uma garota “de família” por um gangsta, contando já no início:
“Esta é uma canção de amor gangsta, entende? (Ela estava apaixonada por um
bandido!)”.
“Killing Me Softly With His
Song” Quem: Roberta Flack Por quê: Resgatada pelos
Fugees e pelo filme Um Grande Garoto, baseado no livro homônimo de
Nick Hornby, esta balada do começo dos anos 70 fala sobre o desgosto de
uma mulher que tem exposta sua privacidade através dos versos de uma
canção romântica. Por incrível que pareça, isso acaba soando como uma
declaração de amor às avessas.
“Anna
Stesia” Quem: Prince Por quê: É genial a maneira
como Prince transforma, nesta música, o amor por uma mulher (a Anna Stesia
do título) no amor por Deus.
“Let´s Get It
On” Quem: Marvin Gaye Por quê: Direto ao ponto (a
expressão “let's get it on” significa "vamos fazer sexo"), Marvin
Gaye faz aqui uma das músicas mais insinuantes da história.
“Glory Box” Quem: Portishead Por quê:
Sobre a base sampleada de Isaac Hayes, o vcoal sofrido e choroso de Beth
Gibbons mexe com as entranhas até mesmo de quem não está apaixonado.
“Moon River” Quem: Henry Mancini Por
quê: Clássico romântico do cinema norte-americano, feito pelo maestro
Henry Mancini (responsável por várias trilhas sonoras inesquecíveis) para
o filme Bonequinha de Luxo. Além da beleza da melodia, a música
também ficou marcada pela brilhante atuação da protagonista Audrey
Hepburn.
“Slave To Love” Quem: Bryan
Ferry Por quê: Ele já exala sensualidade em suas músicas. Nesta,
que foi tema do provocante filme 9 ½ Semanas de Amor, extrapola
seus limites ao se considerar “escravo do amor”.
“Sweet Child
O’Mine” Quem: Guns N’Roses Por quê: Reza a lenda
que Axl Rose não teria composto seu maior hit, mas o teria comprado de um
“compositor fantasma” (profissional que faz de seu ganha-pão a tarefa de
compor canções encomendadas por grandes estrelas que na verdade não
compõem as músicas lançadas sob seu nome). Se é verdade ou mera
especulação, não importa. Dizer que o sorriso dela lembra as memórias de
infância já seria suficiente, mesmo não houvesse o clássico riff
criado pelo guitarrista Slash.
“Hurt” Quem:
Johnny Cash Por quê: Em seu último álbum, Cash transforma uma
letra sobre uso de drogas em uma pungente canção de amor. A carga de
dramaticidade triplicou com o videoclipe, na qual a lenda do
rock’n’roll vê toda a sua vida passar antes de sua morte.
“She Loves Me Not” Quem: Papa Roach Por
quê: A revolta por quando se leva um fora pode ser imensa. O
barulhento grupo americano mostra isso.
“To Bring You My
Love” Quem: PJ Harvey Por quê: Mulher vive grandes
aventuras somente para levar o seu amor a alguém. Passa por desertos, rios
e montanhas, lida com o diabo no inferno e amaldiçoa Deus no céu... Tudo
em nome do amor.
“Sealed With a Kiss” Quem: Bryan
Hyland Por quê: Mais um exemplar de letra tolinha que vira uma
grande composição ao juntar-se com harmonia impecavelmente bem elaborada.
Acorde menor vem na seqüência de seu semelhante maior e tudo mais.
“Je T’Aime... Moi Non Plus” Quem: Serge
Gainsbourg e Jane Birkin Por quê: Dueto com riff de
teclado brega e letra sussurrada pelo casal, que celebra o amor sem
maiores compromissos. Passou para o inconsciente coletivo como trilha
sonora de motel.
“(I Love You) For Sentimental
Reasons” Quem: Sam Cooke Por quê: Sam Cooke diz
que ama sua companheira por “razões sentimentais” e nós acreditamos. Sabe
por quê? Porque ele pensa nela toda manhã e sonha com ela todas as noites.
“I Wanna Hold Your Hand” Quem: Beatles Por
quê: Menos de três minutos de pura pérola pop que fica variando sobre
o mesmo tema: o desejo incontido de andar de mãos dadas com a amada.
“I Know Very Well How I Got My Name” Quem:
Morrissey Por quê: Este obscuro lado B tem linda melodia e é uma
das maiores canções de amor de Morrissey (“Você acha que você foi meu
primeiro amor mas está enganada/ Você foi o único/ Que veio e foi
embora”).
“Friday I'm In Love” Quem:
Cure Por quê: Robert Smith canta o seu amor nos dias da semana.
Canção extraordinariamente luminosa.
“Like a
Virgin” Quem: Madonna Por quê: “Você não sabe o
quão perdida eu estava antes de encontrá-lo/ Eu estava para baixo,
incompleta/ Fui usada, estava triste e deprê/ Mas você me fez sentir/ Nova
e radiante/ Como uma virgem/ Tocada pela primeiríssima vez”. Nem precisa
dizer mais nada ou fazer referências sobre o vestido noiva (o branco
simboliza a “pureza” da mulher antes do casamento) usado por Maconna no
clipe filmado pelos canais de Veneza.
“L’Amour A
3” Quem: Stereo Total Por quê: Groove para
embalar qualquer pista e letra “engraçadinha” sobre as vantagens de um
ménage a trois.
“Sea Of Love” Quem: Phil
Phillips Por quê: Lançado em 1959, este compacto entrou para as
paradas e alcançou o segundo posto de vendagem nacional (nos EUA).
Contudo, o que pouca gente soube era o fato dos sete únicos versos da
letra terem sido compostos pelo artista durante o high school, como
prova de amor para a namorada Irene Cook.
“Solitaire” Quem: Carpenters Por quê:
Melancólica história de um homem solitário, que perdeu seu amor por causa
de sua indiferença e não se importa em continuar seguindo da mesma forma,
“fingindo a si próprio que nunca irá amar de novo”.
“In The Wee
Small Hours” Quem: Frank Sinatra Por quê: Uma das
mais tristes e belas músicas de todos os tempos. É nas horas melancólicas
da manhã é que mais se sente falta da amada.
“Doces
Beijos” Quem: Menudo Por quê: Para muitas
adolescentes dos anos 80, uma despretensiosa canção sobre timidez e paixão
platônica. Duas décadas depois, o hit do grupo vocal porta-riquenho é
cultuado como a primeira manifestação gay em uma música para
adolescentes. Afinal, o que pensar de versos como “Lá em casa dizem que eu
estou estranho/ Meus amigos se afastam de mim/ Eu não posso falar, tenho
medo/ Ninguém pode conhecer meu segredo/ (...) Este amor é a coisa mais
linda que eu já senti/ Doces beijos/ Você me deu/ Doces beijos/ Você e eu/
Doces beijos/ Quer te amar”?
“Magnet’s
Coil” Quem: Sebadoh Por quê: Um dos precursores do
levante emo, Lou Barlow sempre fez letras bastante confessionais. Nesta
ele abusa das emoções ao retratar uma relação conturbada, que não ata nem
desata, mesmo que as partes saiam bastante machucadas com as ações do
dia-a-dia.
“All I Want Is You” Quem: U2 Por
quê: Todas as promessas feitas, desde o berço até a sepultura, não
importam quando tudo o que eu quero é você. Bono Vox fecha o álbum duplo
Rattle And Hum (1988) com um romantismo até então incomum às letras
do grupo irlandês.
“Are You Gonna Be My
Girl?” Quem: Jet Por quê: Reciclagem de “Rock
Around The Clock” cinquenta anos depois. O Jet faz contagem (“1,2,3, pegue
minha mão e venha comigo”; “4,5,6, venha e saia na velocidade”) e
paradinhas rítmicas em nome da paixão. Só há uma diferença: aqui ela tem
outro e ele sonha com uma noite ao menos com sua amada de longos cabelos
castanhos e compridas botas pretas.
“Gigantic” Quem: Pixies Por quê: Kim
Deal propõe uma grande, gigantesca bola de amor. E faz um dos grandes
clássicos do rock alternativo.
“I’ll Never Fall In Love
Again” Quem: Dionne Warwick Por quê: “O que você
ganha quando se apaixona?/ Você só consegue mentiras e dor e mágoa/ Pelo
menos até amanhã”. Clássico da volubilidade composto pela dupla Burt
Bacarach e Hal David, principais nomes do pop easy listening, que
têm em Dionne Warwick sua intérprete “oficial”.
“The Golden
Path” Quem: Chemical Brothers e Flamig Lips Por
quê: “Por favor, acredite em mim/ Eu nunca tive a intenção de machucar
você”. Com um pedido de desculpas desse, acompanhado por uma batida
irresistível, qualquer um engole as estapafúrdias desculpas cantadas por
Wayne Coyne (“eu fui confrontado por uma poderosa força demoníaca”) e
celebra o retorno da união com muita dança.
“The
Scientist” Quem: Coldplay Por quê: É difiícil
emplacar uma balada romântica atrás da outra. O Coldplay conseguiu. Nesta,
Chris Martin traça paralelos entre o amor (a emoção) e a ciência (a razão)
para tentar explicar um amor que ainda não deu tão certo assim, apesar de
todas as tentativas anteriores. A frase “Ninguém disse que seria fácil”,
que inicia o refrão, entrou para a história como uma das linhas mais
pungentes da música pop.
“Remember (Walking In The
Sand)” Quem: Shangri-Las Por quê: O Aerosmith
também gravou esta canção melancólica. Mas o original, feito pelo grande
girl group Shangri-Las, é muito melhor – com direito a barulho de
ondas e gaivotas.
“Shadow Of A Doubt” Quem: Sonic
Youth Por quê: Enquanto as guitarras percorrem um
crescendo de dedilhados dissonantes enquanto Kim Gordon sussurra
“deve ser um sonho” e pede aos berros “beije-me na sombra de uma dúvida”.
Três minutos e meio de asfixia e prazer.
“Perfect
Day” Quem: Lou Reed Por quê: Passeio no parque,
visita ao zoológico, um cineminha... Pode um fim de semana a dois ser mais
romântico? Pode haver algo melhor para se esquecer dos problemas pessoais
do cotidiano?
“Sexxx Laws” Quem: Beck Por
quê: O artista anteriormente conhecido como loser agora se diz
um homem maduro, mas sem medo de chorar. E vai mais longe: “Eu quero
desafiar a lógica de todas as leis do sexo”. Provocativo ao extremo.
“I Don’t Want Your Money” Quem: John Lee
Hooker Por quê: Um blues sincopado, executado por Hooker,
sua guitarra e seu pé batendo no chão. Ele diz que não quer “o dinheiro
dela, apenas o seu amor”.
“Love Will Tear Us
Apart” Quem: Joy Division Por quê: Pequenas
ambições, grande rotina. “Isso é algo tão bom/ Será que só nós não
funcionamos mais?”, pergunta Ian Curtis, antes de declarar taxativamente
que “o amor vai nos separar”. Angústia e tormento em altos graus.
“Please Please Let Me Get What I Want” Quem:
Smiths Por quê: “Por favor, mê dê o que eu peço/ Deus sabe que
esta vai ser a última vez”. A letra é belíssima, mas a melodia de Johnny
Marr e a pungente interpretação de Morrissey é que fazem a diferença aqui.
“The Bitter End” Quem: Placebo Por quê:
“Você me dá banho com cantigas de ninar/ Enquanto você vai embora”. Brian
Molko canta as idas e vindas de uma relação. E conclui, irônico: “Encontro
você no amargo fim”.
“Lady Jane” Quem: Rolling
Stones Por quê: Mick Jagger canta versos de pura entrega a uma
mulher, nem que para isso precise dispensar outras amantes. Por sinal, o
discurso you're the one and only que o vocalista não levou para os
bastidores.
“Ain’t Gone’n’Give Up On Love” Quem:
Stevie Ray Vaughan Por quê: Este é um arrepiante momento do
maior bluesmanbranco de todos os tempos, morto no auge da carreira
em um acidente aéreo. Ray Vaughan diz que “não foi embora” e “na desistiu
do amor”.
“Behind Blue Eyes” Quem: The
Who Por quê: Pode um amor se transformar em vingança? Na voz de
Roger Daltrey, o sentimento de frustração ganha contornos dramáticos. “Mas
meus sonhos/ Não são tão vazios/ Quanto minha consciência parece estar”,
canta. Para quem prefere uma balada, há ainda a opção da recente
regravação do Limp Bizkit.
“Modern Romance” Quem:
Yeah Yeah Yeahs Por quê: A guitarra toca repetidamente um
riffminimalista enquanto a voz serena de Karen O tenta levantar a
estima, em uma espécie de auto-reflexão: “Não fique na espera/ Vá, seja
forte/ Ou você não sabe/ Não existe romance moderno”. Cura qualquer deprê
amorosa.
“You Were Made For Me” Quem: Sam
Cooke Por quê: Sam conta que, tão certo como as estrelas estão
no céu, ele foi “feito para ela e ela foi feita para ele”. Tão simples
quanto tocante.
“Baby One More Time” Quem:
Travis Por quê: B-side despretensioso, com o primeiro hit
de Britney Spears vertido para voz e violão. Por um lado, chega a ser
engraçado ouvir o grupo escocês se segurando para não soltar gargalhadas –
sobretudo no refrão, na hora do “Still believe” em falsete. Por outro,
este é um arranjo que dá mais sensualidade à letra dor-de-cotovelo feita
para o público adolescente da cantora.
“Get It
On” Quem: T-Rex Por quê: No embalo da deliciosa
batida glam, Marc Bolan sentencia: “Você é safadamente doce e você
é minha garota”. E cai direto no assunto “sexo” no refrão: “Mantenha isso
ligado/ Bata no gongo”.
“Darts Of Pleasure” Quem:
Franz Ferdinand Por quê: Com versos como “Você pode sentir meus
lábios despirem seus olhos” e “Palavras são envenenados dardos de prazer”,
esta pós-new wave dos escoceses
“Unconditional
Love” Quem: 2Pac Shakur Por quê: Autêntico como
sempre, 2Pac emociona quando canta “Você deve lembrar que o amanhã vem
depois do escuro/ Então você vai estar sempre no meu coração/ Com amor
incondicional”.
“Give Me Another Chance” Quem:
Big Star Por quê: “Não desista de mim tão rápido e me dê outra
chance”, suplica Alex Chilton em uma das melhores faixas daquele que é um
dos álbuns mais cultuado pelos fãs de power pop, o #1.
“Some Velvet Morning” Quem: Primal Scream e Kate
Moss Por quê: Bobby Gillespie e Kate Moss revivem o dueto
gravado por Lee Hazelwod e Nancy Sinatra nos anos 60. Vocais insinuantes
alertam: “Aprendam conosco/ Olhe para nós mas não nos toque/ Phaedra é o
meu nome”. Mitologia grega [Phaedra era a mulher de Teseu (quem matou o
Minotauro), que se apaixonou pelo enteado Hipólito] com beats
eletrônicos.
“Lucky Man” Quem: Verve Por
quê: Richard Ashcroft se esquece de suas sinfonias agridoces para
fazer um hino urbano sobre o amor. E ainda se diz um “sortudo” por ter um
amor que nunca vai morrer.
“Femme Fatale” Quem:
Velvet Underground e Nico Por quê: O vocal sussurrado da modelo
germânica Nico anuncia sem dó nem piedade: “ela vai partir o seu coração
em dois” e “ela vai sorrir para fazer você franzir as sobrancelhas, bobo”.
O refrão é taxativo: “todo mundo sabe (ela é uma femme fatale).
Canção sobre dominação feminina e paixão nada correspondida
“Toxic” Quem: Britney Spears Por quê:
“Estou viciada em você/ Você não sabe que você é tóxico?”, canta Britney.
Imagina se ela dissesse isso a você?
“Pounding” Quem: Doves Por quê: “Vamos
partir ao nascer do sol/ Vamos viver pelo oceano/ Não me importo/ Se nunca
mais voltarmos para casa/ (...) Aproveite bem o tempo/ É agora ou nunca,
baby. Enquanto o baterista Andy Williams esmurra o kit de forma
semi-automática, o baixista Jimi Goodwin mendiga pelo amor dela.
“Tiny Dancer” Quem: Elton John Por quê:
Esquecida durante mais de duas décadas no limbo pop, esta balada acabou
justamente resgatada pela clássica cena do ônibus no filme Quase
Famosos. A letra é um dos momentos mais inspirados do letrista Bernie
Taupin, eterno parceiro de Elton John: “Bailarina, você deve tê-la visto
dançando na areia/ Agora ela na minha, sempre comigo, pequena dançarina na
minha mão”.
“I Believe In A Thing Called
Love” Quem: Darkness Por quê: Festa,
glamour e muita purpurina. Justin Hawkins ressuscitou com seu
Darkness o lado divertido e grandiloqüente dos anos 70, quando encher
estádios com pirotecnias visuais era bem comum. Neste “meta-exagero”, nada
melhor do que uma overdose de farofada. A começar pelo refrão: “Acredito
em uma coisa chamada amor/ Somente ouça a batida do meu coração/ Há uma
oportunidade que nós devemos aproveitar agora/ Nós iremos transar até o
sol se pôr”.
“You Really Got Me” Quem:
Kinks Por quê: Um riff básico e muito barulhento pode
puxar versos românticos? Para Ray Davies, sim. “Garota, você me pegou de
surpresa/ Me conquistou de um jeito que eu não sei o que estou fazendo/
Sim, você me pegou agora/ Me conquistou e eu não consigo dormir à noite”.
Simples, direto e apaixonado.
“Lover, You Should’ve Come
Over” Quem: Jeff Buckley Por quê: Antes de morrer
trágica e precocemente, Jeff Buckley deixou para a história dos anos 90
uma obra-prima como o álbum Grace (1994). Em “Lover...”, ele chora
a ausência de seu amor: “Onde está você esta noite/ Criança, você sabe
muito bem o quanto eu preciso disso/ Muito novo para esperar e velho
demais para simplesmente romper com tudo e seguir em frente”.
“I’ll Stand By You” Quem: Pretenders Por
quê: É nas piores horas que eu estarei sempre com você. Esta é
mensagem que Chrissie Hynde tenta passar nesta tocante balada do início da
carreira de sua banda. “Nada que você confesse/ Vai me fazer amá-lo menos”
é o trecho mais bonito da letra.
“Electricity” Quem: Suede Por quê:
Brett Anderson passou a década de 90 inteira atiçado a libido de meninas e
meninos. Mas demorou alguns discos para fazer sua canção de amor mais
intensa, com versos que celebram as reações físicas da paixão. “Temos um
amor entre nós e isso é como eletricidade/ Isso é maior que o universo/ É
maior que nós dois”.
“Are You Lonesome
Tonight?” Quem: Elvis Presley Por quê: Elvis
gravou um monte de música romântica para seus filmes pós-exército, mas
nenhuma delas superou “Are You Lonesome Tonight?”, do início de carreira.
Um jovem branco de voz negra que emociona até hoje com esta balada
country que é um grande desabafo posterior ao fim de namoro.
Durante o período de solidão, no qual são enumeradas todas as culpas pelo
término da relação (dela, por sinal), Elvis termina em grande estilo: “Seu
coração está cheio de dor, devo eu retornar agora?/ Me diga, querida, você
está solitária esta noite?”. De arrasar qualquer coração.
“Wonderwall” Quem: Oasis Por quê: Liam
Gallagher adora uma confusão e nunca foge de briga de bar. Só que, pelas
mãos mágicas do irmão Noel, o compositor da banda, pode se transformar em
um sincero apaixonado. Como na letra desta balada, que estourou o segundo
álbum do Oasis em todo o mundo. Com um refrão que tem versos como “Talvez
você seja aquela que vai me salvar/ E depois de tudo/ Você é meu ‘tudo de
bom’[Nota: tradução bem livre do título, já que ‘parede das
maravilhas’não fica bem, né?].
“Honestly” Quem: Zwan Por quê: Foi só
acabar o Smashing Pumpkins que Billy Corgan voltou a sorrir. Montou uma
nova banda com amigos e resgatou as antigas (e boas) sonoridades dos
Pumpkins. Na área amorosa, engatou um affair com a baixista Paz
Lenchantin, que se refletiu diretamente na principal música do único álbum
do Zwan. Não havia o que esconder quando um cantava para o outro versos
como “Eu me sinto amado/ Honestamente/ (...) Não existe lugar que eu
pudesse estar sem você”.
“So Alive” Quem: Ryan
Adams Por quê: “Nos seus braços eu ficaria/ Para sempre se eu
pudesse/ (...) Estou ao seu lado/ E tão vivo/ Tão vivo que isso não é
real”. Depois destes versos basta dizer apenas uma coisa:
Rock’n’Roll, o mais recente álbum de Ryan Adams, tem muuuuuito de
Smiths...
“Crazy Little Thing Called Love” Quem:
Queen Por quê: A banda de Freddie Mercury sempre teve dois lados
bem distintos. Um era o do rock’n’roll, virtuoso e com energia, capaz de
produzir momentos inesquecíveis durante os anos 70 (“We Will Rock You”, a
mini-ópera-rock “Bohemian Rhapsody”). O outro, descartável, baixava o
nível da banda para músicas com claro objetivo comercial (todos os anos
80) ou de breguice descarada (o hino “winner” “We Are The
Champions”, a balada “Love Of My Life”). Em “Crazy Little Thing Called
Love”, obra composta somente por Mercury, ele conseguiu unir as duas faces
do Queen, equilibrando pegada e romantismo sem deixar cair a qualidade.
Rock’n’roll básico, de veia fiftie e trechos picantes.
“Hotel Yorba” Quem: White Stripes Por
quê: “Vamos nos casar/ Em uma grande catedral, com um padre/ Porque se
eu sou o homem que você mais ama/ Você poderia dizer “eu aceito”, no
mínimo”. Renée Zellwegger não tinha mesmo outra opção depois de ouvir Jack
White cantar isso...
“Enjoy The SIlence” Quem:
Depeche Mode Por quê: Curta o silêncio, porque as palavras são
desnecessárias e podem apenas fazer mal. Romantismo melancólico do
quarteto tecnopop britânico.
“Ever Fallen In Love (With Someone
You Shouldn’t’ve Fallen In Love With)” Quem:
Buzzcocks Por quê: Se Pete Shelley não tivesse provado que até
mesmo um punk pode ter coração hoje não exisitiriam vertentes como o emo.
Neste clássico da banda formada na cidade de Manchester, ele celebra sua
paixão impossível pela amada que o rejeita e pisa em seus sentimentos
“Dry Your Eyes” Quem: Streets Por quê:
Na hora da decepção amorosa, os amigos são a melhor coisa do mundo. Mike
Skinner capturou bem o que é isso nesta letra. Palavras de carinho,
conforto e estímulo (como “Existem muitos outros peixes no mar”) ajudam a
curar a frustração com o tempo e a preparar o coração para uma nova (e
feliz) história.
“A View To A Kill” Quem: Duran
Duran Por quê: Sinta o arrepio de um beijo fatal e um encontro
literalmente matador. Tema de filme de James Bond nos anos 80, este
tecnopop traduz em letra e música os climas sedutores das aventuras do
agente britânico com permissão para matar. |
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