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6:53 p.m. - 2005-06-22
Blues: disco Me and Mr. Johnson, de Eric Clapton
Ao mestre, com
carinho
Na juventude, ele fora seu
maior ídolo na música. Agora, Eric Clapton toma coragem e
finalmente faz um disco inteiro para Robert Johnson. Composto apenas por
regravações do mítico bluesman americano, cuja misteriosa vida
pessoal inclui até um suposto pacto com o demônio, o álbum Me And Mr
Johnson emociona pela alegria de um fã que se sente perto de seu
ídolo. Fabrício Muller escreve sobre a homenagem. |
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Clapton reproduz na capa a famosa pose do
ídolo Johnson |
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O nome de Robert Johnson (1911-1938) passou para
eternidade após gravar cinco seções entre 1936 e 1937, acompanhado apenas
de seu violão, 29 músicas que marcaram para sempre a história do blues e
da música em geral. Ele era um virtuoso, mas seu virtuosismo nunca era
gratuito (há quem diga que fez um pacto com o demônio para tocar daquele
jeito, mas quem realmente se importa com isto?). Suas letras eram tão
complexas que são estudadas em universidades. Morreu envenenado,
provavelmente por um marido ciumento.
Por seu turno, o músico Eric
Clapton tem em Robert Johnson seu maior ídolo na música. "Quando eu tinha
até mais ou menos 25 anos, se você não soubesse quem foi Robert Johnson eu
não falaria com você", escreveu o inglês, meio exagerando, no encarte das
obras completas do mítico bluesman americano, lançadas pela
gravadora americana Columbia. Este adoração permanece até hoje: "Agora,
depois destes anos todos, sua música é como se fosse meu amigo mais velho,
sempre na minha cabeça e no horizonte. É a melhor música que eu jamais
ouvi. Eu sempre acreditei na sua pureza, e sempre vou acreditar".
Embora já tenha gravado algumas covers de Robert Johnson, só agora
Eric Clapton pegou coragem para gravar um disco com apenas músicas do
grande bluesman. Me And Mr. Johnson (Reprise/WEA) é uma
homenagem de um fã dedicado e respeitoso. Tudo nesse disco, a partir da
mais-do-que-bem bolada capa (onde os dois retratos à esquerda reproduzem
duas famosas fotos de Johnson, enquanto a pose de Clapton imita uma
delas), procura celebrar o maior bluesman de todos os tempos.
Eu poderia arriscar dizer que a idade traz sabedoria.
Provavelmente tanto Clapton tentou, durante toda a vida, imitar o jeito de
Johnson cantar (quase impossível de reproduzir aliás, parecendo estar
sempre na fronteira entre o dramático e o irônico) que acabou desisitindo.
Fez, então, um disco bastante diferente das gravações originais. Para
acentuar ainda mais esta diferença, Clapton canta secundado por uma
(excelente) banda com baixo, piano, guitarra, bateria e harmônica – ao
contrário do seu ídolo que, como foi dito, gravou apenas com um violão.
Assim como é interessante para o fã de Bach ouvir as mesmas peças
compostas para teclado executadas no piano e no cravo, é sempre um prazer
ouvir novas (e boas) versões dos grandes clássicos de Robert Johnson. Os
grandes destaques do disco são as lentas “Little Queen Of Spades” e “Kind
Hearted Woman”; a energética “If I Had Possession Over Judgment Day”
(quase melhor que a original!); a sempre maravilhosa “Me And The Devil
Blues”; e, o ponto alto do disco, a emocionante “Hell Hound On My Trial”.
E se o intenso Robert Johnson cantava entre o dramático e o
irônico, Eric Clapton canta com alegria. Com a alegria de um fã que se
sente, de algum modo, perto do seu ídolo. Não há como não se emocionar com
isso. |
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