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6:59 p.m. - 2005-06-22
Rap: discos de Ying Yang Twins, Lil John & The East Side Boyz, B.G. e Magic
Seis não é demais
Crunkers são rappers que apostam em batidas
pesadas e dançantes, vocais sujos e letras que louvam o sexo, a maconha e
o porre. Agora alguns destes artistas (Ying Yang Twins, Lil John & The
East Side Boyz, B.G. e Magic, todos provenientes do Dirty South americano)
chegam ao Brasil, através de um pacote de hip hop, que tam ainda as
mensagens positivas do Spooks e um coleção de remixes de clássicos de 2Pac
Shakur. Quem conta mais é Fabrício Muller. |
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Lil John & The East Side Boyz fizeram
o “The Chronic” dos crunkers |
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O rap americano é um universo à parte,
vastíssimo e multifacetado – o que costuma chegar até nós (Snoop, 50 Cent,
Eminem) é apenas uma pontinha do iceberg. É, portanto, mais do que
louvável a iniciativa da Sum Records em lançar um pacote de discos no
estilo praticamente desconhecidos por aqui.
A maior parte dos
novos lançamentos são provenientes do chamado Dirty South, como é chamada
a zona dos rappers que moram em cidades do Sul dos Estados Unidos,
como New Orleans e Atlanta. E é desta última que vêm os dois melhores
álbuns de todo o pacote: Me & My Brother, da dupla Ying Yang
Twins, e Kings Of Crunk, de Lil’ Jon & The East Side
Boyz. Os dois grupos, que fazem parte da mesma gravadora (a TVT
Records), são parte de um estilo chamado crunk, que é um tipo de
hip hop com vocal doido e sujo, secundado batidas pesadas e
dançantes, que canta as alegrias de sair para dançar em clubes, encher a
cara, fazer sexo e fumar maconha. O objetivo dos crunkers é fazer
música para as pessoas se divertirem mesmo.
Unido por amigos em
comum, o Ying Yang Twins foi formado em 1996 por Kaine e D-Roc. Me
& My Brother é seu terceiro álbum – Thug Walkin foi lançado
em 2000 e Alley: The Return Of The Ying Yang Twins em 2002. O disco
é uma alucinante seqüência de faixas dançantes e alucinadas. Com o vocal
rouco de Kaine e D-Roc e batida pesada e hipnótica, Me & My
Brother é um lançamento imperdível de rap. São tantas as músicas
excelentes que fica difícil apontar alguns destaques. De todo o modo,
“Hahn”, “Whats Happnin!”, “Salt Shaker”, “Georgia Dome” e “Calling All
Zones” parecem estar um pouco acima das demais.
Boa parte das
letras tem o objetivo de deixar o povo no clube alucinado. Em “Hahn”, os
rappers ficam pedindo para as pessoas no clube repetirem a
interjeição “hahn!”. “Grey Goose”, o nome de outra faixa, é uma elegia à
bebida preferida dos caras. “Salt Shaker” descreve o que eles fazem em um
clube de strip-tease. E, como não poderia deixar de faltar em um disco de
rap, Me & My Brother tem suas faixas misóginas
(“Naggin'”, que, é preciso que se diga, é seguida pela resposta feminina:
“Naggin' Part II”), de glorificação à maconha (“The Nerve Calmer”),
sexistas (“Georgia Dome (Get Low Sequel)”) e de vida nas ruas (a
sensacional “Calling All Zones”).
Lil Jon, que tem os dentes
incrustados de diamantes (!!!), e seus East Side Boyz (Big Sam e Lil Bo)
já haviam lançado o álbum Put Yo Hood Up em 2001 e consideram
Kings Of Crunk o “The Chronic” do crunk (referência
ao clássico concebido por Dr. Dre no início dos anos 90). Realmente, o
lançamento dos rappers de Atlanta é impactante: os três vocalistas
cantam boa parte do tempo em uníssono – se bem que o verbo "gritar" parece
mesmo mais apropriado. A junção dos seus berros com as pesadas bases
atingem efeitos de arrepiar (em “Throw It Up”, “Bitch”, “Rep Yo City” e
“Keep Yo Chullin Out The Street”).
Lil Jon & The East Side
Boyz também chegam a excelentes resultados quando fazem rap
misturado com rhythm’n’blues –“Nothin On” e “Nothins Free” possuem
refrões com lindas melodias e letras safadas, cantados pela (excelente)
vocalista Oobie. As letras do grupo, como as dos Ying Yang Twins (que,
aliás, aparecem uma faixa de Kings Of Crunk), servem para deixar o
povo alucinado no clube (“I Don't Give A Fuck”, "Push That Nigga”, “Push
That Hoe"), louvam a maconha (“The Weedman”) ou são puramente sexistas
(“Play No Games”). Há também letras de ameaças aos inimigos (“Keep Yo
Chillin Out The Street”) e uma que glorifica diamantes (“Diamonds”).
Também do Dirty South mas originário de New Orleans é o
rapper B.G. (Baby Gangsta), também conhecido como B.Gizzle e o
autor do álbum duplo Livin' Legend (interessante notar que só se
percebe que são dois CDs quando o álbum é aberto – o segundo disco, com
bonus tracks e sem ficha técnica, não é mencionado na parte externa
da caixa, provavelmente para que os lojistas só cobrem o preço de um
disco). Realmente não é um exagero chamá-lo de lenda vida, já que ele
gravou seu primeiro contrato com a gravadora Cash Money quando tinha
apenas onze anos (?!).
Livin' Legend é seu sétimo álbum
(ele está com 23 anos) e o primeiro pela Chopper City Records. Em mais de
uma faixa, aliás, B.G. detona ex-companheiros da antiga gravadora, de onde
ele saiu por problemas com drogas. As faixas de Livin' Legend
começam bem, com o estilo lento e sincopado das bases e a voz rouca e um
pouco anasalada do rapper. Mas em poucas faixas o estilo de B.G.
vai cansando o ouvinte. No final das contas, as melhores faixas são
aquelas em que ele recebe convidados: as hipnóticas “I'm Outta Here” e
“Duckin' The Law”, com seus colegas de gravadora Sniper e Hakim (não
confundir com Rakim, da legendária dupla Eric B and Rakim); e as suingadas
“Only For You”, com a cantora Windy; e “Let It Flow”, com Windy, Gar,
Sniper e Hakim.
Os temas não fogem do usual em discos de
gangsta rap. Há auto-glorificação/ameaças aos inimigos (“Reality
Check Part 2”, “Fuck That Shit”, “It's All On U Vol.2”), sexo (“Only 4
U”). Além disso, B.G. emociona quando fala de um amigo que faleceu
(“R.I.P”), ou ainda de seus filhos pequenos (“My Son And My Daughter”).
Há algo de errado com On My Own, do último rapper do
Dirty South (New Orleans, neste caso) a ser analisado aqui, chamado Magic.
Não sei bem o que é, mas tem algo nele que não passa. Suas bases não são
tão ruins, algumas músicas chegam a ser legais mesmo (“International
Gangstas”, “Down Here”, “My Life”, “All I Do”). Se fosse para apostar, eu
diria que Magic tenta passar por um gangsta rapper malvado – mas
que de malvado não tem nada. É só ver as caretas de mau pouquíssimo
convincentes das suas fotos no encarte para saber do que eu estou falando:
quando se ouve o sujeito a impressão que se tem é a mesma.
Caminhos diferentes Os demais discos do pacote da Sum
são de outras praias: Nu-Mixx Klazzics, do grande 2Pac Shakur, e
Faster Than You Know, do Spooks.
É normal, depois da morte
de um gênio da música, que as gravadores tirem leite de pedra para
arranjar uns trocados - e com o rapper da Costa Oeste 2Pac Shakur
(assassinado em 1996, e já citado anteriormente no Bacana – leia
aqui) a coisa não é
diferente. Este Nu-Mixx Klazzics, lançado pela sua gravadora
original, a Death Row Records, apresenta remixes de seus grandes sucessos
e está longe, muito longe de ser um disco ruim.
As novas caras das
músicas definitivamente fazem sentido, têm bom gosto e, na maioria das
vezes, criam excelentes climas. Só que a grande qualidade de 2Pac estava
na grande força interpretativa – e não se sente 10% desta força nestas
faixas sofisticadas de Nu-Mixx Klazzics. Em outras palavras: este é
um excelente disco, mas para quem não conhece a obra original.
O
Spooks é um grupo de rap com três MCs (Booka T, Hypno e Joe Davis) e uma
vocalista (Ming-Xia). Seu mais recente lançamento, Faster Than You
Know, é o último álbum do pacote da Sum analisado aqui. Os membros do
Spooks, palavra cuja tradução mais próxima é “espectro’, costumam dizer
que vivem nas sombras e fazem mistério a respeito de suas origens – só
dizem que são do Leste dos Estados Unidos. A formação do grupo acaba
levando a um tipo de rap com refrões cantados/estrofes faladas, o
que acaba estragando um pouco o efeito-surpresa da entrada da vocalista.
Independente disso, a irregularidade do álbum salta aos olhos.
Faster Than You Know contém algumas poucas pérolas indiscutíveis,
com refrões belíssimos (a faixa-título, “Don't Be Afraid”, “More To
Learn”, “Eulogy”), enquanto as demais faixas ficam naquele limbo – nem
muito boas, nem muito ruins, muito pelo contrário. Quanto à temática, o
álbum é o único lançamento deste pacote com mensagens positivas, distantes
do universo gangsta e um pouco mais próximas, portanto, das dos
seus ídolos do De La Soul [a banda também elege, entre suas
influências, James Brown; Earth, Wind & Fire; Björk; Radiohead e U2
(?!)]. A faixa-título, por exemplo, desanca os gangsta rappers
e tudo o que eles glorificam, enquanto “A Hit” reclama das pressões das
gravadoras para que eles façam sucesso.
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