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8:38 p.m. - 2005-06-22
Livro: James Bond contra o satânico Dr. No, de Ian Fleming
Aventura tropical
No recém-lançado segundo título da série literária que fez
sucesso nos cinemas, o mais famoso espião britânico é enviado para a
Jamaica para descobrir o que acontecera com dois agentes do Serviço
Secreto que teriam deserdado e fugido para o Caribe. Chegando lá, ele
encontra dois novos amigos e acaba enfrentando um maquiavélico vilão que
deseja preservar a qualquer custo a privacidade de sua ilha. No livro
007 Contra o Satânico Dr No, porém, James Bond sente raiva,
ódio e ainda rejeita envolvimento com uma mulher. Quem conta mais é
Fabrício Muller. |
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Cena do filme 007 Contra o Satânico Dr
No |
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007 Contra o Satânico Dr. No, de Ian Fleming
(Editora Record, 286 páginas), começa com o agente James Bond se
recuperando do envenenamento sofrido em Moscou Contra 007 (que o
Bacana resenhou aqui). M, seu superior
no Serviço Secreto Inglês, resolve dar um descanso para Bond, mandando-o
para a Jamaica (ainda possessão britânica, já que o livro fora lançado em
1958) para investigar o sumiço de dois agentes, um homem e uma mulher,
suspeitos de terem deserdado e fugido juntos para alguma ilha paradisíaca
do Caribe.
É claro que as coisas não podem ser tão simples em um
livro de James Bond – os dois agentes, na verdade, não fugiram, mas foram
cruelmente assassinados. Quando 007 começa a investigar o caso na Jamaica,
logo sua vida também começa a sofrer ameaças. O principal suspeito de tudo
isto é um tal de Dr. No, o misterioso dono de uma ilha produtora de guano
(esterco de aves marinhas, utilizado como adubo).
Para resolver o
mistério, Bond chama Quarrel, um aliado jamaicano nativo da Jamaica.
Juntos eles pegam um barco a vela e, com o maior cuidado, chegam à ilha do
Dr. No. Lá encontram uma menina belíssima (mas com um pequeno defeito: o
nariz quebrado) e órfã, chamada Honeychile. Os três, comandados por Bond,
vão adentrando a ilha para saber mais sobre o império insular do Dr. No.
Este, porém, que tinha fortíssimas razões para preservar sua privacidade,
impinge enormes sofrimentos físicos e psicológicos aos intrusos –
resultando, inclusive, em uma morte.
007 Contra o Satânico Dr.
No mostra um Ian Fleming dominando com perfeição a literatura de
aventuras. Tudo é muito bem encaixado no livro, desde a maneira longa e
segura que vários crimes vão sendo imputados ao Dr. No, até a eletrizante
– e plena de sofrimentos – parte final. Os personagens Quarrel (simpático
e fiel) e Honeychile (sensual e forte psicologicamente devido à difícil
infância sem os pais) são coerentes e bem construídos. Dr. No também é um
vilão meio maquiavélico além da conta – o que não deixa de ser
interessante, sejamos justos, em um livro de aventuras.
E o
personagem James Bond da literatura (como já havia sido observado, aliás,
em Moscou Contra 007) tem pouquíssimo a ver com o personagem
sensual, glamuroso e cínico das telas do cinema. O 007 de Fleming sente
raiva, ódio e insegurança como qualquer ser humano. E sofre bastante com
as constantes tentativas de Honeychile de fazer amor com ele nos momentos
mais tensos da aventura. Um Agente Secreto da Coroa Britânica, afinal de
contas, não pode misturar as coisas.
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